O arrastão em São Gonçalo terminou com um homem morto na madrugada de sábado (21), na BR-101, Rodovia Niterói-Manilha, na altura do bairro Portão do Rosa, na Região Metropolitana do Rio. A vítima, Alan de Souza Nascimento, trabalhava em uma lanchonete no bairro Trindade e retornava para casa com colegas após o expediente quando foi atingido por disparos durante a ação.
De acordo com relatos, criminosos realizavam um arrastão na rodovia e obrigaram motoristas a atravessar veículos na pista para dificultar a chegada da polícia. Minutos depois, policiais do Batalhão de Rondas Especiais e Controle de Multidões (Recom) se aproximaram do local.
Segundo a Polícia Militar, houve troca de tiros após os criminosos dispararem contra a guarnição ao perceberem a presença da equipe. A corporação afirma que, após estabilizar a área, encontrou Alan ferido dentro do carro e tentou socorrê-lo. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu antes de chegar ao hospital.
A versão apresentada por um dos ocupantes do veículo, porém, é diferente. Ele afirma que o grupo foi fechado por criminosos na altura do Boaçu e obrigado a bloquear a via.
“Tava tendo arrastão. Os caras mandaram a gente parar e atravessar o carro na rua. Nisso, eles falaram: ‘a Recom, a Recom’. Os bandidos correram, e a Recom já veio dando tiro. A gente saiu do carro pra deitar no chão, e acabaram acertando o Alan”, contou o rapaz que estava com ele no veículo, em depoimento à TV Globo.
A testemunha também contesta a existência de confronto no momento dos disparos. Segundo ele, os criminosos já teriam deixado o local quando os tiros começaram. Ele relata ainda que Alan foi colocado na viatura, mas os policiais retornaram minutos depois.
“Botaram o Alan dentro do carro. Depois voltaram na contramão, já com ele sem vida”, disse, em depoimento à TV Globo.
Imagens registradas por moradores mostram o som dos disparos na rodovia durante a madrugada. A morte do trabalhador gerou forte reação na região. Moradores fecharam pistas da BR-101 e incendiaram objetos em protesto, pedindo justiça e esclarecimento sobre o que aconteceu.
O enterro ocorreu no domingo (22), no Cemitério São Miguel, em São Gonçalo. Familiares e amigos levaram cartazes cobrando apuração rigorosa e responsabilização, caso haja irregularidades.
A Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSG) instaurou inquérito para investigar as circunstâncias da morte. A Polícia Civil informou que diligências estão em andamento para esclarecer a dinâmica dos fatos.
O caso reacende o debate sobre segurança nas rodovias da Região Metropolitana e a necessidade de respostas rápidas e transparentes em ocorrências que envolvem vítimas durante operações policiais.
A investigação agora será decisiva para esclarecer o que realmente aconteceu naquela madrugada e responder às perguntas que mobilizam São Gonçalo.














