Armeiro do Peixão será transferido para presídio federal após esquema de armas de guerra

armeiro do Peixão

O armeiro do Peixão, Everson Vieira Francesquet, será transferido neste sábado para o presídio federal de Catanduvas, no Paraná. Segundo a Polícia Federal, ele participava de um sofisticado esquema de importação ilegal de armas de guerra para abastecer a facção Terceiro Comando Puro (TCP), que utilizava o arsenal em confrontos contra o Comando Vermelho (CV) e para resistir a operações policiais. Nas comunicações interceptadas, Francesquet usava os codinomes “Deus” e “Visionário”.

De acordo com as investigações, Francesquet era responsável por negociar e adquirir equipamentos de alto poder destrutivo, como drones lançadores de granadas, fuzis e bloqueadores de sinais — estes últimos utilizados para impedir o rastreamento de veículos e celulares. O Ministério Público Federal (MPF) ressaltou, no pedido de transferência, que o acusado tinha papel de destaque na manutenção da estrutura da facção criminosa.

As mensagens revelam que Francesquet mantinha relação de confiança com o traficante Peixão, um dos líderes do TCP. Em uma das conversas, ele afirmou que, com um drone recém-adquirido, seria possível atacar Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, integrante do CV. Irmão, com esse drone, o senhor vai conseguir explodir o Doca, paizão. Ninguém vai entender nada, escreveu Francesquet. Peixão respondeu: E a meta vai ser essa mesmo (em depoimento ao Fantástico).

Nas negociações com fornecedores, realizadas até com vendedores chineses e paraguaios, Francesquet se identificava como “Deus”. Em dezembro de 2023, por exemplo, discutiu a compra de bloqueadores de sinais ao preço de US$ 168 cada, com intenção de adquirir três unidades por semana. A PF destacou que esses aparelhos, conhecidos como jammers, são proibidos pela Anatel e representam um risco por dificultarem interceptações policiais.

O esquema funcionava por meio de transportadoras e dos Correios, que entregavam diretamente o material ilícito na casa de Francesquet, em Nova Iguaçu. Essa estratégia evitava que os traficantes precisassem atravessar fronteiras com armamentos. Em julho de 2024, Francesquet foi preso em flagrante quando retirava um drone nos Correios, mas acabou liberado posteriormente pela Justiça, passando a ser monitorado.

Os investigadores também encontraram recibos de liberação alfandegária emitidos pela empresa DHL para produtos vindos de Hong Kong. Para driblar a fiscalização, Francesquet chegou a limitar compras em plataformas como o AliExpress a US$ 25, além de se preocupar com a oscilação do dólar, que encarecia as importações.

Em nota, os Correios informaram que atuam rigorosamente contra o envio de objetos ilícitos e mantêm cooperação com órgãos de segurança. A DHL declarou que não compactua com crimes e colabora com a investigação. O AliExpress, por sua vez, repudiou qualquer atividade criminosa e garantiu estar à disposição das autoridades. A defesa do preso não foi localizada.

Limpatech