A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) recolheu as armas dos policiais militares envolvidos no tiroteio em festa junina no Morro do Santo Amaro que terminou com a morte de Herus Guimarães Mendes da Conceição, de 24 anos, no Catete. O objetivo da análise é identificar de qual arma partiu o disparo fatal. A Polícia Militar afirmou estar colaborando integralmente com as investigações.
O tiroteio ocorreu na noite de sexta-feira (6), durante uma ação emergencial do Bope. Segundo a PM, havia informações sobre a presença de criminosos fortemente armados na comunidade se preparando para um possível confronto com rivais. A corporação disse que, inicialmente, os policiais foram atacados nas proximidades do evento, mas não reagiram. Em outro ponto da comunidade, no entanto, houve confronto.
Durante o tiroteio em festa junina no Morro do Santo Amaro, Herus foi atingido e socorrido em estado grave ao Hospital Glória D’Or, na Zona Sul, mas não resistiu. A administração da unidade informou que ele passou por manobras de reanimação, sem sucesso. O corpo será velado neste domingo (8), às 11h, no Cemitério São João Batista, em Botafogo.
Além da vítima fatal, outras cinco pessoas foram baleadas. Entre os feridos está um adolescente de 16 anos, integrante de uma quadrilha junina de São Gonçalo. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, apenas um paciente segue internado, em estado estável, no Hospital Municipal Souza Aguiar.
A perícia no local foi realizada no sábado (7), com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core). Moradores acompanharam de perto os trabalhos e organizaram um protesto pelas ruas do Santo Amaro, com faixas e cartazes cobrando justiça. Amigos de Herus também estiveram presentes.
A operação é acompanhada não apenas pela Polícia Civil, mas também por órgãos externos. A Comissão de Direitos Humanos da Alerj e o Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do Ministério Público do Rio (GAESP/MPRJ) também monitoram o caso. O MP informou que havia sido comunicado com antecedência sobre a ação.
Segundo moradores, a festa junina contava com apresentações de quadrilhas, incluindo crianças e famílias da comunidade. O evento reunia grupos de dança de diferentes cidades do estado. No momento da apresentação de um dos grupos, tiros foram disparados, provocando pânico.
“As equipes utilizaram câmeras de uso corporal e as imagens já estão sendo analisadas pela Corregedoria da corporação”, informou a PM, em nota oficial.
A DHC agora analisa os armamentos usados pelos agentes na operação, buscando confirmar se algum dos disparos partiu de armas policiais. O Bope também instaurou um procedimento apuratório interno.
O caso reacende o debate sobre ações policiais em comunidades durante eventos públicos e a necessidade de protocolos mais rígidos para evitar tragédias. As investigações seguem em andamento, e os resultados da perícia devem ser decisivos para a responsabilização de possíveis envolvidos.














