Ariana Grande: É Possível Diagnosticar Transtorno Alimentar pela Aparência? Especialistas Esclarecem Polêmica

Especialistas alertam sobre o perigo de diagnosticar transtornos alimentares pela aparência, especialmente após comentários sobre Ariana Grande.

A cantora Ariana Grande se tornou alvo de intensas especulações nas redes sociais após o lançamento do clipe de “Petal”. A artista apareceu visivelmente mais magra, o que gerou debates sobre culto à magreza e a possibilidade de transtornos alimentares.

Diante do escrutínio público, um representante da cantora informou que Ariana fará uma pausa nas aparições públicas após o fim de sua turnê, em setembro de 2026, citando o “escrutínio público incessante e contínuo”.

A repercussão levanta uma questão importante: é possível determinar um diagnóstico de transtorno alimentar apenas pela aparência de uma pessoa, como Ariana Grande? A resposta, segundo especialistas, é não. Conforme alerta a médica gastroenterologista Maria Júlia Colossi, em entrevista à coluna Claudia Meireles, diagnósticos como anorexia exigem uma avaliação clínica e psiquiátrica completa.

Diagnóstico de Transtorno Alimentar: Uma Questão Clínica Complexa

A médica Maria Júlia Colossi enfatiza que a anorexia e transtornos semelhantes são diagnósticos clínicos e psiquiátricos que não podem ser feitos apenas com base em fotos ou mudanças na aparência. É necessária uma avaliação estruturada do comportamento, dos pensamentos e do estado físico do indivíduo, indo além do peso ou da imagem externa.

Para um diagnóstico preciso de doenças como a anorexia nervosa, existem critérios internacionais bem definidos. Estes critérios se baseiam em três pilares essenciais: a restrição persistente da ingestão calórica que leva a uma perda de peso significativa, um medo intenso e, por vezes, negado, de ganhar peso, e uma perturbação na forma como o peso e a forma corporal são vivenciados pela pessoa.

A gastroenterologista ressalta que a perda de peso, mesmo que não intencional, pode ter uma vasta gama de causas, e a maioria delas não está primariamente ligada a questões psiquiátricas. É fundamental considerar outros fatores de saúde física e mental antes de qualquer conclusão precipitada sobre a aparência de alguém, como no caso de Ariana Grande.

Os Impactos Psicológicos do Body Shaming e da Rotulação

A psicóloga clínica Vanessa Bulcão, especialista em neuropsicologia e terapia cognitivo-comportamental, destaca o perigo psicológico de rotular alguém com base na aparência, um fenômeno conhecido como body shaming. Utilizar termos como “está anoréxica” para descrever uma pessoa magra banaliza um diagnóstico psiquiátrico sério, transformando-o em uma mera característica estética.

Bulcão explica que a anorexia nervosa não é sinônimo de magreza. Trata-se de uma condição complexa que envolve alterações profundas na relação com a alimentação, com o peso e com a imagem corporal. O medo intenso de engordar e comportamentos restritivos persistentes são marcas dessa condição, e não apenas a aparência física.

A psicóloga alerta que tanto os elogios quanto as críticas ao emagrecimento podem agravar um quadro de adoecimento, caso ele exista. Comentários públicos sobre a aparência de Ariana Grande, sejam eles positivos ou negativos, podem ter um impacto prejudicial.

Preocupação e Empatia: Como Abordar Questões de Saúde Mental

É importante lembrar que mudanças corporais podem estar relacionadas a diversas causas, como doenças físicas, sofrimento emocional, uso de medicamentos, luto, estresse ou alterações hormonais, além de transtornos alimentares. A rotulação e o julgamento podem aumentar o estigma, gerar vergonha e até reforçar comportamentos alimentares prejudiciais.

Diante de uma possível preocupação com a saúde de alguém, seja ela física ou mental, é possível expressar cuidado sem invadir a privacidade ou emitir julgamentos. A empatia e a busca por informações de fontes confiáveis são essenciais para lidar com essas questões delicadas, evitando especulações sobre figuras públicas como Ariana Grande.

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