Argentina suspeita de racismo ignora ordem da Justiça e segue sem tornozeleira no Brasil

Agostina Páez

A Argentina suspeita de racismo não cumpriu, até esta segunda-feira (19), a determinação judicial que previa o uso de tornozeleira eletrônica no âmbito da investigação conduzida pela polícia civil do Rio de Janeiro. A medida foi expedida no último sábado e confirmada por autoridades responsáveis pelo monitoramento eletrônico.

A investigada é a advogada e influenciadora digital Agostina Páez, de 29 anos, acusada de realizar gestos e ofensas racistas contra um atendente em um bar de Ipanema, na Zona Sul do Rio. Segundo a apuração, ela também está proibida de deixar o Brasil enquanto o inquérito estiver em andamento.

De acordo com policiais da 11ª Delegacia de Polícia (Rocinha), a informação de que a medida ainda não foi cumprida foi confirmada pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária. Além da tornozeleira, a Justiça determinou a apreensão do passaporte da investigada. Como ela entrou no país utilizando apenas a carteira de identidade, a Polícia Federal foi acionada para impedir uma eventual saída do território nacional.

O delegado Diego Salarini, responsável pelo caso, informou que Agostina tem até cinco dias úteis para cumprir a determinação judicial. O inquérito deve ser concluído e encaminhado ao Ministério Público até quarta-feira, após a oitiva complementar da vítima e do gerente do estabelecimento onde o episódio ocorreu.

Em imagens que circulam nas redes sociais, a argentina aparece chamando o funcionário de “mono” — termo pejorativo em espanhol — e imitando gestos associados a um macaco. Após o ocorrido, registrado na última quarta-feira, a vítima formalizou a denúncia, dando início à investigação.

Em entrevista concedida ao portal g1, Agostina afirmou que os gestos não teriam sido direcionados ao atendente, mas às amigas, e alegou desconhecer que a conduta configurava crime no Brasil. Em outro momento, admitiu que errou ao realizar os gestos, afirmando que reagiu após suposta provocação.

Quem é Agostina Páez?

Natural da província de Santiago del Estero, na Argentina, Agostina Páez atua como advogada e influenciadora digital. Antes do episódio no Rio, mantinha perfis ativos nas redes sociais, com dezenas de milhares de seguidores no Instagram e no TikTok, que atualmente estão privados ou desativados.

Nos últimos meses, seu nome também ganhou repercussão na imprensa argentina por conta de disputas judiciais envolvendo seu pai, o empresário Mariano Páez, investigado por casos de violência de gênero. Agostina chegou a ingressar com ações judiciais relacionadas a ataques virtuais e difamação envolvendo membros de sua família, afirmando que não responde pelos atos do pai e que busca apenas preservar sua vida pessoal.

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