A estudante negra e trans Eduarda Odara usou as redes sociais para relatar que passou a sofrer ataques, inclusive de cunho transfóbico, após anunciar sua aprovação para o curso de Medicina da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). As manifestações começaram depois da divulgação de que a vaga foi conquistada pelo sistema de cotas.
Em uma publicação nas redes, Duda — como também se apresenta — afirmou: “Vai ter trans preta não-binária filha de camelô nesse curso, sim”. A postagem gerou ampla repercussão, com mensagens de apoio, mas também comentários que questionaram seus méritos por ter ingressado pela política de ações afirmativas.
Na sequência, a estudante compartilhou conteúdos de terceiros, incluindo críticas que alegavam, de forma equivocada, que ela não teria direito às cotas por não ser oriunda do ensino médio público. Parte das mensagens trazia ataques pessoais e tentativas de deslegitimação da conquista acadêmica.
Entre as publicações críticas, um deputado estadual utilizou pronomes masculinos para se referir à estudante em vídeo divulgado nas redes sociais. Outro influenciador político publicou conteúdo atacando o sistema de cotas, com insinuações ofensivas sobre profissionais formados por esse modelo de ingresso.
No Instagram, comentários em uma postagem sobre a realização do sonho de cursar Medicina incluíram mensagens como “Tirando vaga de quem merecia” e “Já sei com quem não procurar ajuda médica”, entre outras ofensas direcionadas à caloura.
Uerj se pronuncia
A Uerj, por meio da Faculdade de Ciências Médicas, divulgou nota repudiando “quaisquer atos de ódio, discriminação, racismo, transfobia e ataques às políticas de inclusão dirigidos a integrantes de sua comunidade acadêmica”. A instituição informou ter tomado conhecimento dos ataques e os classificou como “inaceitáveis”.
No comunicado, a universidade afirmou que as manifestações refletem desconhecimento ou negação das desigualdades sociais, econômicas e educacionais históricas do país. A nota reforça que as políticas de cotas são “legítimas, legais e plenamente reconhecidas institucionalmente” e têm como objetivo tornar mais justo o acesso ao ensino superior.
A Uerj também destacou que o sistema de ações afirmativas não pode ser utilizado “como fundamento para questionamentos quanto à dignidade, à capacidade ou ao pertencimento acadêmico” de estudantes. Por fim, a instituição prestou solidariedade a Duda e assegurou que oferecerá apoio psicossocial à caloura.














