Após derrubada de árvores, Justiça suspende obra no terreno onde funcionava o antigo Colégio Bennett, na Rua Marquês de Abrantes, no bairro do Flamengo, Zona Sul do Rio. A determinação foi tomada nesta quarta-feira (21) e ocorre após a mobilização de moradores contra a retirada de 71 árvores realizada na véspera do Ano Novo.
A decisão é do juiz Wladimir Hungria, que ordenou a paralisação imediata da construção de um empreendimento imobiliário previsto para ter cerca de 400 unidades habitacionais. O magistrado também determinou que o Município do Rio de Janeiro embargue a obra, sob pena de multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento.
O terreno foi arrematado em leilão público, em julho de 2024, pela TGB Empreendimentos Imobiliários Ltda em conjunto com o Banco BTG Pactual. Desde então, moradores e ambientalistas vêm questionando o impacto ambiental da obra, afirmando que a área abriga espécies da fauna e árvores centenárias.
A ação judicial foi movida por Licinio Machado Rogério contra a prefeitura e a construtora. No processo, ele argumenta que o empreendimento coloca em risco um conjunto arquitetônico tombado pelo município, composto pelo Pavilhão São Clemente, antiga cavalariça, guarita e gradil histórico, considerados bens de valor histórico e cultural.
Na decisão, o juiz proibiu qualquer novo corte, supressão, poda drástica ou remoção de árvores dentro do terreno, incluindo uma palmeira localizada na Rua Senador Vergueiro, além de vegetação em calçadas, canteiros, praças e áreas verdes do entorno. Também ficou vedada qualquer alteração interna ou externa nos prédios e estruturas tombadas.
A construtora informou que a obra possui licença ambiental e autorização para remoção da vegetação, prevendo como medida compensatória o plantio de 632 mudas. Ainda assim, moradores questionam a efetividade da compensação diante da perda das árvores já derrubadas.
É uma decisão tardia, mas, na verdade teve uma decisão anterior que não foi suficiente para impedir os cortes. O que chegou para nós é que, mesmo com essa nova decisão, ainda há máquinas pesadas funcionando no local. Não sabemos se, de fato, a medida será acatada, afirmou Isabel Franklin, presidente da Associação de Moradores do Flamengo, em depoimento ao jornal O Dia.
Nas redes sociais, moradores também criticaram o momento da decisão judicial. E o que adianta agora? Vão replantar as 71 árvores? Elas estão mortas para sempre e as novas mudas levarão décadas para atingir a mesma altura, escreveu uma moradora. Outro comentário destacou que as árvores não voltarão e muito provavelmente poucas serão plantadas no local.
O Colégio Metodista Bennett, fundado em 1887 por missionárias metodistas norte-americanas, encerrou suas atividades presenciais no bairro em 2020. A instituição é considerada um dos marcos históricos da cidade, tendo atravessado períodos como a transição do Império para a República.














