Após ameaças racistas, líder do PSOL na Câmara do Rio se afasta do mandato

Vereadora Thais Ferreira

A líder do PSOL na Câmara do Rio, vereadora Thais Ferreira, se afastou das atividades presenciais após ser alvo de ameaças de morte e ataques racistas e misóginos. As intimidações, que começaram nas redes sociais, passaram a acontecer também de forma presencial, levando a parlamentar a reforçar o pedido de segurança.

Thais já estava licenciada para acompanhar questões familiares de saúde, mas decidiu manter o afastamento por tempo indeterminado diante da escalada de violência. O Colégio de Líderes da Câmara deve discutir o caso ainda nesta semana, enquanto o PSOL cobra medidas urgentes para proteger a vereadora.

Em nota, a Executiva Estadual do PSOL afirmou que as ameaças virtuais evoluíram para abordagens presenciais, com a parlamentar sendo intimidada por um homem desconhecido. A sigla também informou que familiares da vereadora estão sendo alvo de ataques. “A situação é gravíssima e atinge não só Thais, mas o direito das mulheres negras de exercerem seus mandatos com liberdade e segurança”, diz o texto.

Diversos parlamentares manifestaram solidariedade à colega. “Não seremos interrompidas. Sigamos na luta, minha amiga”, publicou Renata Souza (PSOL-RJ). Já a deputada mineira Bella Gonçalves (PSOL-MG) classificou o caso como alarmante: “Tudo isso após sua postura firme contra a violência da operação que acabou em chacina”, escreveu, em referência à megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha.

Thais Ferreira registrou ocorrência na Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) relatando ameaças de tortura e execução. A Polícia Civil abriu investigação. Segundo as autoridades, os ataques aumentaram após a vereadora se posicionar contra a operação policial que deixou 121 mortos, incluindo quatro agentes.

Durante sessão extraordinária na Câmara, Rick Azevedo (PSOL) lembrou o assassinato da ex-vereadora Marielle Franco, em 2018. “Mais uma vez, vemos esse cenário em que a política é tratada como guerra. Marielle foi executada, e agora uma nova mulher negra sofre ameaças por exercer seu mandato”, lamentou.

O presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Marcos Dias (Podemos), colocou o colegiado à disposição para acompanhar o caso. “É inaceitável que uma representante eleita viva sob ameaça. Isso fere a democracia e o direito ao livre exercício parlamentar”, afirmou.

Em nota oficial, o PSOL-RJ classificou o episódio como um ataque à democracia e à representatividade das mulheres negras na política. “Defender Thais é defender a democracia, a vida das mulheres negras e o Parlamento como espaço de representação popular”, concluiu o comunicado.

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