Supremo Tribunal Federal Inaugura Poderoso Painel “Sete Marias” Contra o Feminicídio
O Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou, na última quinta-feira (6/8), uma nova e potente obra de arte em seu acervo. O painel “Sete Marias”, do renomado artista plástico Antonio Veronese, foi inaugurado no Hall dos Bustos da Corte, com o objetivo de servir como um símbolo de resistência e denúncia contra os alarmantes índices de feminicídio no país.
A cerimônia contou com a presença de autoridades, ministros do STF e convidados, incluindo o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, e ministros como Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, Kassio Nunes Marques e Marco Aurélio. A esposa do artista, Elizabeth Amorim, expressou a felicidade e o orgulho de ver a obra do marido exposta em um local tão emblemático.
A obra “Sete Marias” nasceu da profunda indignação de Antonio Veronese diante da realidade brutal do feminicídio no Brasil. Conforme entrevista concedida à coluna Claudia Meireles, o artista buscou retratar não figuras derrotadas pela violência, mas sim mulheres que mantêm sua dignidade e seguem em frente, demonstrando força e resiliência. A intenção é clara, como o próprio artista afirmou: “Elas são altivas, elas mantêm a dignidade, elas seguem em frente.”
Arte como Ferramenta de Conscientização e Protesto
Antonio Veronese ressalta a importância da arte como instrumento de conscientização social. Ele acredita que a repetição de tragédias pode levar à naturalização da violência, e por isso, sua obra busca chamar a atenção da sociedade. “Temos que chamar a atenção da sociedade e dar um tapa na cara desses ‘machões’ que fazem isso com uma mulher”, declarou o artista, enfatizando o caráter de protesto da obra.
Inicialmente, a proposta para Veronese, feita pela então presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, era criar uma obra sobre democracia. No entanto, ao se deparar com os dados sobre feminicídio, o artista redirecionou sua criação, transformando-a em um poderoso manifesto contra a violência de gênero. Essa metamorfose reflete a urgência e a gravidade do tema no contexto brasileiro.
“Sete Marias”: Uma Reflexão Sobre a Violência e a Dignidade Humana
Durante a inauguração, a ministra Cármen Lúcia destacou que o painel “Sete Marias” traduz uma das maiores feridas da sociedade brasileira. Ela reiterou o dado alarmante de que, no Brasil, uma mulher é morta a cada quatro horas. “Um país que permite que suas mulheres sejam assassinadas, que as suas meninas sejam estupradas, que as violências sigam do jeito que vem seguindo de uma forma quase endêmica, doente, é um país que não dá esperança de que essa construção se faça de maneira efetiva e para sempre”, afirmou a ministra.
O texto que acompanha o painel, assinado pelo ministro aposentado do STF Carlos Ayres Britto, define o feminicídio como “uma aberração que atenta contra a própria dignidade humana”. Ayres Britto ressalta o poder da arte em comunicar questões que transcendem o campo jurídico, afirmando que “A arte é um salto quântico. Não tem começo, nem meio, nem fim. Já se vai para o âmago da coisa. A obra de arte sempre há de ser prestigiada, ela antecipa as coisas do futuro. Nada melhor do que denunciar o feminicídio por intermédio de uma obra de arte como essa.”
O Papel dos Símbolos e da Arte no Judiciário
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, enfatizou a importância dos símbolos na construção da memória institucional. “Nós sabemos que as instituições vivem de símbolos, são eles que preservam a memória, transmitem valores e recordam a cada geração que o presente é sempre construído sobre os alicerces do passado e sobre a responsabilidade diante do futuro. ‘Sete Marias’ é uma obra que nos convida a contemplar a ação e também a reflexão. A referência à constelação, tão presente no imaginário humano, evoca a ideia de orientação, de permanência e de travessia”, explicou Fachin.
Fachin também ressaltou a relevância de aproximar a sensibilidade da arte ao trabalho do Judiciário. “As instituições devem cultivar não apenas a força do conhecimento, mas também a delicadeza do espírito. Não apenas a objetividade das normas, mas igualmente a dimensão que confere sentido”, concluiu o ministro. A obra de Antonio Veronese, “Sete Marias”, agora integra o acervo do STF, servindo como um lembrete constante da necessidade de combater o feminicídio e valorizar a dignidade de todas as mulheres.














