Ambulantes da orla como patrimônio cultural do Rio é rejeitado pela Câmara

Vendedora ambulante na Praia do Flamengo

O projeto que previa reconhecer ambulantes da orla como patrimônio cultural do Rio foi rejeitado pela Câmara Municipal nesta quinta-feira (30), após semanas de discussões e repercussão pública. A proposta acabou derrubada por ampla maioria entre os vereadores.

Ao todo, foram 36 votos contrários e apenas oito favoráveis, evidenciando a resistência ao texto dentro da Casa. A votação reuniu parlamentares de diferentes partidos, que se posicionaram contra a medida.

De autoria do vereador Leonel de Esquerda, o projeto buscava reconhecer a atuação dos ambulantes nas praias e áreas de lazer como parte do patrimônio cultural imaterial da cidade. A proposta havia sido apresentada no ano passado, mas ganhou força recentemente.

O tema passou a ganhar maior visibilidade após um episódio envolvendo agentes da Secretaria Municipal de Ordem Pública em Ipanema. A abordagem a uma artesã gerou repercussão e reacendeu o debate sobre a presença de ambulantes na orla.

Apesar de ter sido aprovado inicialmente em primeira discussão sem grandes conflitos, o projeto passou a enfrentar críticas mais intensas ao longo das semanas seguintes. Empresários e associações de moradores manifestaram preocupação com possíveis impactos na organização urbana.

Durante o processo, entidades representativas classificaram a proposta como prejudicial ao ordenamento público e ao comércio formal, alegando que poderia estimular desorganização e concorrência considerada desigual.

Diante das divergências, o projeto chegou a ser retirado temporariamente da pauta para ampliar o debate. Após retornar à votação, acabou rejeitado e agora segue para arquivamento.

A decisão reflete o cenário de divisão sobre o tema e mantém o debate sobre a atuação de ambulantes nas praias e espaços públicos da cidade.

Limpatech