Bolsonaro avaliou positivamente ida para a Papudinha, segundo relatos de aliados que conversaram com a ex-primeira-dama após a transferência ocorrida na noite de quinta-feira (15). O ex-presidente deixou a Superintendência Regional da Polícia Federal em Brasília e passou a cumprir custódia no presídio conhecido como Papudinha.
De acordo com pessoas próximas, a avaliação interna é de que a mudança representou um “bom gesto” e pode trazer melhora nas condições de custódia. Ainda assim, aliados afirmam que o assunto não deve ser celebrado publicamente para não enfraquecer a estratégia de defesa que busca a prisão domiciliar.
A transferência foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. A Papudinha é o nome popular do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, localizado no Complexo da Papuda, onde ficam presos policiais e pessoas politicamente expostas.
O entorno do ex-presidente relata que, embora a cela na Papudinha ofereça melhores condições mínimas de bem-estar, a prioridade segue sendo a concessão de prisão domiciliar humanitária. Para isso, a defesa aguarda a realização de uma perícia médica por junta da Polícia Federal, que deverá avaliar o estado de saúde do ex-presidente antes de nova análise do pedido pelo STF.
Aliados também mencionam a possibilidade de adaptações na sala de Estado Maior da Papudinha ou, se necessário, a transferência para um hospital penitenciário, conforme o resultado do exame médico. A avaliação de saúde é vista como etapa central para a próxima decisão judicial.
Em conversas reservadas, o clima é de alívio com a mudança, mas com cautela. Há a leitura de que a transferência reduz a pressão política e da militância por medidas mais amplas, o que poderia prolongar a permanência de Jair Bolsonaro no sistema prisional.
Em público, no entanto, lideranças do partido e familiares mantêm críticas à decisão. O filho do ex-presidente classificou o ambiente como severo, enquanto parlamentares aliados apontaram o que consideram excesso de rigor judicial. Já Michelle Bolsonaro agradeceu à Polícia Federal pelos cuidados prestados ao marido durante o período de custódia anterior.
Na decisão que determinou a transferência, o ministro Alexandre de Moraes citou reclamações de familiares e a existência de uma campanha contra o Judiciário, além de listar as condições oferecidas na sala de Estado Maior, como banheiro privativo, ar-condicionado, acompanhamento médico e rotina de visitas controladas.
O caso segue em análise no Supremo Tribunal Federal, e a expectativa do entorno do ex-presidente é que a avaliação médica influencie os próximos passos sobre o regime de cumprimento da custódia.














