Alexandre de Moraes suspende investigação da Polícia Civil sobre retirada de corpos na Penha e no Alemão

Alexandre de Moraes

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão do inquérito da Polícia Civil do Rio de Janeiro que investigava a retirada de corpos após a megaoperação realizada nos complexos do Alemão e da Penha, que resultou em 121 mortes. A decisão foi proferida nesta segunda-feira (10) e inclui novas ordens ao governo fluminense sobre a preservação de provas.

Na mesma determinação, Moraes ordenou que o governo do Rio preserve todas as imagens registradas pelas câmeras corporais utilizadas pelos policiais durante a operação e que entregue ao STF os laudos de autópsia das vítimas. O ministro também determinou o envio de informações detalhadas sobre as circunstâncias das mortes.

A investigação havia sido aberta pela Polícia Civil do Rio após relatos de que moradores retiraram corpos da mata que separa os dois complexos logo após a ação policial. O então secretário da corporação, Felipe Curi, havia informado que o caso seria apurado por possível fraude processual, sob a alegação de que roupas camufladas estariam sendo removidas dos corpos por moradores.

Em nota divulgada anteriormente, a Polícia Civil afirmou que o inquérito instaurado pela 22ª DP (Penha) não tinha como alvo familiares das vítimas, mas sim supostas ordens de facções criminosas para ocultar ligações dos mortos com o tráfico. A corporação declarou ainda que as apurações visavam identificar quem havia orientado a retirada dos corpos da área da operação.

Com a decisão de Moraes, todas as diligências relacionadas ao caso ficam paralisadas até nova deliberação do Supremo. O ministro acompanha de perto as ações envolvendo a megaoperação de 28 de outubro, considerada uma das mais letais da história do estado.

A ofensiva conjunta das polícias Civil e Militar, que teve como objetivo desarticular grupos armados que controlam comunidades na Zona Norte, resultou em 121 mortes — entre elas, quatro policiais. O caso vem sendo acompanhado de perto por entidades de direitos humanos, que pedem transparência e responsabilização dos envolvidos.

A decisão de Moraes amplia o monitoramento judicial sobre as operações policiais no Rio e reforça o papel do STF no controle da atuação das forças de segurança. O ministro já havia determinado, anteriormente, a preservação das provas e a comunicação imediata de todas as ações de grande impacto à Corte.

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