Defesa Civil revela por que a Mensagem de Alerta no Celular não foi ativada antes da tragédia

Ventos derrubam árvores o Rio de Janeiro

Defesa Civil do RJ esclarece ausência de alerta vibratório antes da ventania fatal

Moradores do Rio de Janeiro relataram não ter recebido mensagens de texto no celular alertando para o início da ventania que assolou o estado na quarta-feira (29). As fortes rajadas de vento começaram à tarde e causaram a morte de duas pessoas, após a queda de um muro. O fenômeno também paralisou o transporte, atrasou voos e deixou milhares de pessoas sem luz.

Um corpo encontrado no mar de Paraty, no sul fluminense, pode ser de uma terceira vítima. A polícia investiga se o falecido é um pescador desaparecido durante o vendaval. Em São Paulo, o mesmo fenômeno causou danos graves e três mortes.

A Defesa Civil informou que o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden-RJ) emitiu um alerta SMS à população às 15h30, notificando sobre rajadas de vento no estado. No entanto, nas redes sociais, muitos cariocas afirmaram não ter recebido a mensagem a tempo, com alguns relatando o recebimento apenas por volta das 17h30, uma hora após a chegada da ventania na capital. Conforme informação divulgada pela Defesa Civil, o cenário meteorológico antes da ventania não atendia aos critérios para o acionamento do alerta vibratório, conhecido como Cell Broadcast.

Critérios para Alerta Vibratório Não Atendidos

A Defesa Civil fluminense explicou que o Cell Broadcast, ferramenta que vibra continuamente e interrompe o uso do telefone, não foi acionado previamente porque o cenário meteorológico, até uma hora antes do início da ventania, indicava “risco alto” de rajadas de ventos fortes, e não “muito alto”, conforme exigido pelos critérios do órgão. Por isso, segundo a Defesa Civil, o cenário “não atendia aos critérios para o acionamento”.

A ferramenta de alerta vibratório é destinada “exclusivamente a situações de risco muito alto, com condições de urgência esperada e observada, que exijam medidas imediatas de evacuação ou abrigamento da população. Trata-se de um canal complementar de alerta máximo”, conforme nota oficial da Defesa Civil.

Relatos de Recebimento Tardio do Alerta

Raphael Rodriguez, 31, relatou ter recebido um “alerta de vento forte nas próximas horas” apenas às 17h47, uma hora depois dos estragos já terem sido causados pela ventania na cidade. “Eu fiz um registro de tela na hora em que apareceu a mensagem porque achei absurdo não ser avisado antes. O vendaval já havia acontecido”, disse ele, demonstrando frustração com o atraso do aviso.

Fenômenos Meteorológicos e o El Niño

Uma combinação de fenômenos meteorológicos, potencializada pelo El Niño, foi a causa dos eventos climáticos extremos que atingiram o Sul e o Sudeste do Brasil. Segundo especialistas, a atuação de uma frente fria, áreas de baixa pressão, um corredor de umidade e um forte contraste de temperatura provocaram chuva extrema no Rio Grande do Sul e vendavais com vítimas fatais no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Meteorologistas ressaltam que, embora o El Niño tenha influenciado, atribuir os temporais exclusivamente a ele seria uma simplificação. Apesar da magnitude dos impactos, os modelos numéricos já apontavam um cenário de risco dias antes, mas a principal limitação da meteorologia continua sendo a precisão em indicar o local exato onde ocorrerão os fenômenos mais extremos.

Intensidade da Ventania Surpreendeu

O prefeito Eduardo Cavaliere afirmou que os ventos que atingiram a cidade tiveram intensidade maior do que a prevista e os relacionou ao El Niño. “O aviso feito ontem, no começo da tarde, era de ventos muito menos intensos do que os que acabaram ocorrendo”, declarou o prefeito à TV Globo, evidenciando a imprevisibilidade da força do vento.

O sistema de alertas do estado é compartilhado. Das 92 prefeituras, 44 possuem autonomia para emitir SMS, enquanto as outras 48 são cobertas pelo sistema estadual. As defesas civis municipais realizaram uma reunião na manhã de quarta-feira para discutir o cenário meteorológico, mas o sistema da capital fluminense não previu a intensidade da ventania. O boletim da manhã de quarta-feira indicava “ventos moderados com rajadas ocasionalmente fortes”.

As redes sociais do Centro de Operações Rio (COR) divulgaram nível de severidade médio às 14h26, e apenas às 16h14 começaram os alertas de ventos muito fortes, quando os transtornos já estavam em curso. A ventania causou a paralisação do transporte público, com o metrô e trens ficando suspensos por horas, deixando passageiros presos em composições lotadas. O sistema só foi normalizado na quinta-feira.

Duas vítimas fatais foram confirmadas no Rio de Janeiro: o ex-jogador do Botafogo Tássio Maia dos Santos, 41, e seu amigo Vandré Cordeiro, atingidos por um muro que desabou em Santa Teresa. Para a noite de quinta-feira, a previsão era de rajadas de vento de moderado a forte. O Corpo de Bombeiros registrou 31 salvamentos, cinco ocorrências de desabamentos e 154 cortes de árvores, com os municípios de Rio, Nova Iguaçu e Niterói apresentando o maior número de ocorrências.

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