Advogada acusada de desviar dinheiro de idosa é presa no Rio

Jéssica Cabral Barradas

Celular da investigada foi encontrado escondido no ralo do banheiro durante buscas em apartamento na Ilha do Governador

Acusada de desviar dinheiro e bens de uma idosa de 90 anos da qual havia sido curadora, a advogada Jéssica Cabral Barradas, 35 anos, foi presa em flagrante por policiais da 37ª DP (Ilha do Governador), na tarde desta sexta-feira, dia 2 de outubro, durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão em seu apartamento, no Cacuia, na Zona Norte do Rio. Ela foi autuada por ocultação de documento público.

No imóvel, os agentes encontraram a certidão de óbito e a carteira de identidade originais da idosa, que morreu em julho de 2019. Segundo a investigação, o filho da vítima tentava recuperar os documentos havia sete anos, mas Jéssica alegava que eles estavam guardados em caixas.

Durante as buscas, acompanhadas por representantes da OAB/RJ, os policiais também tentaram localizar o celular da advogada, cuja apreensão havia sido autorizada pela Justiça. Depois de mais de uma hora de procura, o aparelho foi encontrado escondido dentro do ralo do banheiro.

De acordo com os agentes, a investigada teria colocado o telefone no local para evitar que fosse apreendido. O aparelho será submetido à extração de dados.

Além dos documentos e equipamentos eletrônicos, foram apreendidos joias e talheres banhados a ouro. Na delegacia, o filho da idosa reconheceu os talheres e um relógio como pertencentes à mãe. Os objetos já haviam sido mencionados por ele em depoimento prestado anteriormente.

De curadora a investigada

Jéssica Cabral BarradasVizinha da idosa no Cocotá, também na Ilha do Governador, Jéssica teria se aproximado da vítima, que morava sozinha e recebia pensão militar e benefício do INSS.

Em 2014, a advogada foi nomeada curadora pela Justiça e passou a administrar os interesses e o patrimônio da mulher. Segundo a investigação, no entanto, foram identificadas transferências da conta da idosa para a conta pessoal de Jéssica.

As movimentações teriam continuado mesmo depois da morte da vítima. Seis dias após o óbito, segundo a apuração, houve uma transferência de dinheiro da conta da idosa para a advogada, seguida de saque. Os investigadores também identificaram compras realizadas com o cartão da vítima no ano seguinte à morte.

Jéssica já responde na Justiça por 12 crimes de apropriação de rendimentos de pessoa idosa, dois furtos qualificados mediante fraude e duas falsidades ideológicas. As acusações incluem ainda a suposta omissão de rendimentos nas prestações de contas relativas à administração do patrimônio.

Documentos retidos por sete anos

Segundo a polícia, mesmo após sucessivas cobranças feitas pelo filho da vítima, a advogada não devolveu os documentos originais. Ela teria chegado a enviar fotografias dos papéis, demonstrando que sabia onde estavam.

O herdeiro relatou que a retenção dificultou a abertura do inventário e a regularização da sucessão. Para acionar o seguro de vida da mãe, ele precisou solicitar uma segunda via da certidão de óbito, obtida somente em 2023.

Nesta sexta-feira, os documentos originais foram finalmente encontrados pelos policiais no apartamento da antiga curadora.

De acordo com a investigação, Jéssica também possui registros relacionados a outros fatos investigados como coação no curso do processo, perseguição, furto, ameaça e falsa identidade.

Os equipamentos apreendidos serão analisados, enquanto os talheres e o relógio passarão por perícia e avaliação antes de uma eventual restituição ao filho da vítima.

Após os procedimentos na delegacia, a advogada será encaminhada à Justiça. As investigações prosseguem na 37ª DP (Ilha do Governador).

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