A advogada fake ostentava vida de luxo nas redes sociais, mas recebeu R$ 8.100 em auxílio emergencial durante a pandemia. A investigada é Tatiane da Silva Alves Ferreira, de 37 anos, indiciada pela Polícia Federal por integrar um esquema conhecido como “leva e traz”, usado para facilitar a comunicação entre faccionados presos no Complexo Penitenciário da Papuda.
Conforme a apuração do portal Metrópoles, Tatiane se apresentava como advogada sem possuir autorização para o exercício da profissão. Mesmo assim, mantinha perfis nas redes sociais com registros de roupas, bolsas e relógios de alto valor, contrastando com o recebimento do benefício destinado a pessoas em situação de vulnerabilidade econômica.
Segundo as investigações, o atual companheiro de Tatiane, Odianel Pereira de Sousa Júnior, integrante da facção Bonde do Maluco (BDM), também recebeu R$ 3.300 do auxílio emergencial. Ele responde por organização criminosa e por posse de arma de fogo apreendida em sua residência durante uma operação policial.
A Polícia Federal aponta ainda que Tatiane mantinha ligações com integrantes de facções criminosas e auxiliava na comunicação entre presos e lideranças do crime organizado. Entre os nomes citados está Jackson Antônio de Jesus Costa, apontado como um dos líderes do BDM e preso na Papuda, além de investigado por crimes graves, incluindo homicídio de um policial federal.
Mesmo sem registro profissional, Tatiane utilizava o nome “Tatiane Adv Silva” em aplicativos de mensagens e se identificava como advogada. Ela chegou a prestar o exame da Ordem dos Advogados do Brasil e entrou com ação judicial para revisão da nota, mas teve o pedido negado.
As apurações indicam que outras pessoas, incluindo advogados e um estagiário de direito, também teriam participado do esquema para facilitar a comunicação entre detentos. Parte dos envolvidos teve o direito de exercer a profissão suspenso, e o processo tramita sob sigilo no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios.
Procurada, Tatiane não foi localizada até a última atualização do caso. A Polícia Federal segue com as investigações para esclarecer o uso indevido de benefícios públicos e a atuação de falsos profissionais em esquemas ligados ao crime organizado.














