O adolescente ferido no Santo Amaro durante um tiroteio em uma festa junina continua se recuperando em casa, com o projétil ainda alojado no tórax. Emanuel da Silva Felix, de 16 anos, fazia parte da quadrilha junina Balão Dourado e havia acabado de se apresentar quando foi atingido pelas costas.
Segundo entrevista concedida à jornalista Ana Fernanda Freire, do jornal O Dia, a mãe do jovem, Maria Aparecida da Silva Felix, de 46 anos, relatou o alívio por ver o filho vivo, mesmo com a gravidade da situação. “Eu só tenho a agradecer mesmo a Deus pelo dom da vida do meu filho, por esse livramento. Foi uma fatalidade para a família do outro menino, mas pelo menos aqui eu tenho só vitória”, declarou.
Emanuel mora na comunidade da Chumbada, em São Gonçalo, e fazia sua reestreia na quadrilha após um período afastado. De acordo com a mãe, o adolescente e o grupo já estavam a caminho do ônibus quando o tiroteio começou, deixando pânico e vítimas.
Encaminhado inicialmente para a UPA da região e depois transferido ao Hospital Municipal Souza Aguiar, Emanuel passou por uma tomografia que identificou a bala alojada. “A orientação que deram é que essa bala vai sair com o tempo, que vai demorar um pouquinho, mas ela vai sair porque é uma coisa que não é do corpo”, explicou Maria Aparecida, que também destacou a necessidade de acompanhamento psicológico para o filho.
Nas redes sociais, a quadrilha Balão Dourado lamentou o ocorrido. “Estávamos todos felizes, vivendo esse momento tão especial, celebrando com alegria a nossa cultura junina. Tudo o que aconteceu foi inesperado, foi forte”, disse a nota do grupo.
O tiroteio aconteceu durante uma operação do Bope na comunidade do Santo Amaro. A Polícia Militar informou que os agentes foram recebidos a tiros e, em outro ponto da comunidade, houve confronto. A ação terminou com a morte de Herus Guimarães Mendes da Conceição, de 24 anos, e deixou outras cinco pessoas feridas, incluindo Emanuel.
As investigações estão em andamento e incluem a análise das câmeras corporais dos agentes e das armas utilizadas. A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) acompanha o caso, assim como a Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Alerj.
No domingo (8), o governador Cláudio Castro exonerou o comandante do Bope, Aristheu de Góes Lopes, e o do Comando de Operações Especiais (COE), André Luiz de Souza Batista, que autorizaram a ação durante o evento. Os policiais envolvidos foram afastados preventivamente das ruas até o esclarecimento dos fatos.














