Acusada de envenenar enteados vai a júri popular no Rio

Cintia Mariano é acusada de envenenar enteados

A acusada de envenenar enteados vai a júri popular no Rio na próxima quarta-feira (4). Cíntia Mariano Dias Cabral é ré pela morte de Fernanda Cabral, de 22 anos, e por tentativa de homicídio contra o irmão da jovem, Bruno Cabral.

O julgamento havia começado em outubro do ano passado, mas foi interrompido após a defesa abandonar o plenário, alegando ausência de testemunha considerada essencial e falta de diligências. A Justiça entendeu que a saída foi deliberada e classificou o ato como estratégia processual que compromete a dignidade do Tribunal do Júri. Na ocasião, os advogados foram multados em 10 salários mínimos, além de terem que arcar com custos da sessão.

Segundo a denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, o crime ocorreu em 15 de março de 2022. A ré teria colocado “chumbinho” na comida de Fernanda. A jovem passou mal logo após a refeição, foi hospitalizada e morreu quase duas semanas depois.

Em maio do mesmo ano, a acusação sustenta que Cíntia repetiu o método ao servir alimento contaminado a Bruno, então com 16 anos. O adolescente sobreviveu.

As investigações apontaram que os irmãos apresentaram sintomas compatíveis com intoxicação exógena por carbamato, substância presente no chamado “chumbinho”. Laudos periciais indicaram que tanto a morte de Fernanda quanto as lesões sofridas por Bruno foram causadas por ação química decorrente de envenenamento.

O Ministério Público também argumenta que o crime teria sido motivado por ciúmes da relação dos jovens com o pai, Adeílson Jarbas Cabral, marido da ré à época dos fatos.

Durante a última audiência de instrução e julgamento, realizada em maio de 2023, Cíntia optou por permanecer em silêncio. O médico neurologista e legista da Polícia Civil, Gustavo Figueira Rodrigues, foi ouvido como testemunha e reforçou o resultado do laudo de Bruno. “Apesar de não evidenciar, está claro o caso de intoxicação”, declarou.

Fernanda ficou internada por 12 dias no Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, após dar entrada com dificuldades respiratórias, língua enrolada e espuma na boca. Segundo relatos do processo, a ausência de diagnóstico imediato dificultou o tratamento.

Com o júri popular marcado, o caso volta ao centro das atenções e deve mobilizar familiares e autoridades. E o desfecho do julgamento poderá encerrar um dos episódios mais impactantes dos últimos anos envolvendo acusações de envenenamento no estado.

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