A guerra que fere a cidade maravilhosa

Violência no Rio e o Turismo

O Rio de Janeiro vive um novo capítulo da sua velha guerra urbana. Uma megaoperação policial contra o tráfico de drogas paralisou bairros inteiros, bloqueou vias e, mais uma vez, expôs o quanto a violência fere não apenas a segurança dos moradores, mas também o coração econômico e simbólico da cidade: o turismo.

Enquanto helicópteros sobrevoam favelas e blindados cruzam as avenidas, turistas observam atônitos uma realidade que contrasta com o cartão-postal que o mundo conhece. A cada notícia de operação, o Rio sangra um pouco mais em sua imagem internacional. O medo substitui o encanto, e a cidade que deveria ser vitrine da hospitalidade brasileira se vê refém de uma narrativa de guerra.

O turismo é uma das engrenagens mais poderosas de geração de emprego e renda do Rio — mas depende, acima de tudo, de previsibilidade e sensação de segurança. Nenhum destino sobrevive se o turista teme circular livremente, e nenhum investimento floresce em meio à incerteza.

Mais do que operações pontuais, o Rio precisa de planejamento urbano, presença do Estado e políticas públicas integradas que enfrentem as causas da violência sem comprometer o direito à cidade. O turista quer viver o Rio, não sobreviver a ele.

O futuro do turismo carioca — e da própria imagem do Brasil lá fora — passa por uma mudança de mentalidade: a paz deve ser tratada como política de desenvolvimento, não apenas de segurança.

Bruno Mann é empresário e especialista em turismo receptivo, fundador da Brazil Connection

*Este artigo reflete exclusivamente a opinião do autor. O conteúdo não representa, obrigatoriamente, a linha editorial do Jornal O Povo na Rua.

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