Ah, as pesquisas eleitorais feitas com meses de antecedência… sempre tão precisas, tão definitivas, tão confiáveis quanto um político em época de eleição. Mas, claro, para quem sabe ler nas entrelinhas, elas trazem alguns insights interessantes – ou pelo menos nos fazem rir um pouco.
Já aviso que estou revelando os números verdadeiros…
Primeiro, temos Eduardo Paes com 40% das intenções de voto, já contabilizando seu mais novo parceiro de dança, Wladimir Garotinho. Nada surpreendente, já que a capital representa aproximadamente 40% do eleitorado do estado. Ou seja, parabéns ao Paes, que aparentemente já atingiu seu teto eleitoral – um teto baixinho, mas um teto.
Depois, encontramos Thiago Pampolha, com impressionantes 8%, impulsionado pelo apoio de Washington Reis. Ah, sim, aquele mesmo Washington Reis que está inelegível. Que apoio potente, hein? Sem a máquina na mão, esse parece ser o limite do PMDB. Mas quem precisa da máquina ao ter… bem, 8%?
Agora, vem a parte realmente curiosa: Rodrigo Bacellar que já aparece com 32%. Sim, você leu certo. Aqui temos um fenômeno eleitoral que não se explica pelos números, mas sim pelos bastidores. Essa pontuação representa a soma da força de Cláudio Castro e Flávio Bolsonaro no jogo. Se alguém ainda duvidava do peso dessa aliança, a pesquisa já dá um bom spoiler do que está por vir.
Resumindo, o cenário da pesquisa ficou assim:
- Eduardo Paes – 40% (já no limite, parabéns!)
- Rodrigo Bacellar – 32% (quem diria, né?)
- Thiago Pampolha – 8% (com um apoio gigante)
- Nulos – 20% (porque sempre tem gente que prefere nem participar desse circo).
Agora, sobre o Senado, a pesquisa já começa errada, porque simplesmente esqueceram de incluir André Ceciliano. Detalhe, né? Mas pelo que temos até agora, Cláudio Castro (11,4%), mesmo com a máquina do governo na mão, está praticamente empatado com Benedita da Silva (10,8%), que foi governadora há mais de uma década e nem está tão ativa assim no jogo político. Para um governador no cargo, digamos que esses números não são exatamente animadores.
Por fim, os temas mais quentes da eleição continuam os de sempre: Segurança Pública e Saúde. Mas eis que surge um detalhe saboroso: corrupção e gestão pública aparecem com 7,4% como fator decisivo para o eleitor. Agora, sim, um tema que me interessa.
Pelo visto, ainda há esperança para quem acredita que transparência e eficiência podem ser relevantes numa eleição. Quem diria? E Claudio Castro me exonerou porque eu era do Compliance, e assim tirou do seu time a unica pessoa que trabalhava no terceiro tema mais cobiçado da eleição.
No fim das contas, essa pesquisa serve para quê? Para nos lembrar de que eleição é uma mistura de números, teatro e boas alianças. E que, como sempre, os bastidores valem mais do que qualquer gráfico bonito. Mas fiquem tranquilos, porque ao longo da semana trarei mais análises para entender esse espetáculo eleitoral.
Victor Travancas é advogado, mestre e doutor em Direito Constitucional. Teve inúmeras experiências na política, sendo assessor de Cesar Maia, Marcelo Crivella e do governador Cláudio Castro, onde exercia a função de subsecretário de gabinete do governador Cláudio Castro, de onde saiu após realizar diversas denúncias de corrupção no governo.
Artigo: Victor Travancas














