A Copa do Mundo já tinha apresentado de tudo. Empate com gosto de vitória, goleiro virando muralha, favorito tropeçando e torcedor jurando que entende mais de futebol que qualquer treinador empregado.
Mas aí apareceu Messi. E quando Messi aparece, o futebol fica parecendo uma brincadeira inventada por ele mesmo. Tem jogador que corre, tem jogador que dribla. E o jogador que chuta. Só que Messi faz tudo isso caminhando.
Enquanto o adversário pensa no que vai fazer, ele já fez. Quando o zagueiro procura a bola, ela já mudou de endereço. É quase uma maldade esportiva.
No Rio, a reação foi imediata. No bar, o especialista em futebol decretou:
— Na idade dele, eu já sinto dor só de levantar da cadeira.
Outro respondeu:
— Na idade dele, eu nunca fiz nem metade disso.
A conversa terminou empatada. Como quase tudo nesta Copa.
Aliás, empate virou moda mundial. Bélgica empatou. Uruguai empatou. Irã empatou. Espanha empatou. Daqui a pouco vão distribuir um ponto até para quem perdeu o voo para o estádio.
Mas a verdade é que a Copa continua entregando aquilo que o torcedor mais gosta: história para contar. Um dia, o herói é o goleiro de Cabo Verde. No outro, é um atacante improvável. E quando parece que ninguém mais pode surpreender, surge Messi lembrando ao planeta que alguns jogadores não envelhecem. Apenas acumulam magia.
E o torcedor carioca, como sempre, assiste tudo isso com a mesma certeza de sempre: se estivesse em campo, faria diferente. Pena que só da mesa do bar.
Alberto Ahmed, presidente do Jornal Povo na Rua














