Pelo terceiro ano consecutivo, a Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (CEDAE) patrocina o camarote da revista Quem durante o Carnaval, com cifras que ultrapassam a marca dos R$ 5 milhões. Esse gasto milionário, financiado com recursos públicos, é um exemplo flagrante de má gestão e desrespeito ao contribuinte. Enquanto a população enfrenta tarifas elevadas e serviços que deixam a desejar, a empresa responsável pelo abastecimento de água e saneamento no estado opta por investir em festas privadas e eventos de luxo.
Quando ocupava o cargo de subsecretário do Gabinete do governador, responsável pelo compliance do Governo do Estado, fui o primeiro a denunciar esse tipo de abuso. É inaceitável que uma empresa pública, que deveria priorizar a eficiência e a redução de custos para beneficiar os cidadãos, utilize o dinheiro dos contribuintes para financiar champanhe e festas exclusivas, onde um grupo seleto de pessoas se diverte às custas do erário público.
A CEDAE tem uma missão clara: garantir o acesso à água e ao saneamento básico para todos os cidadãos do Rio de Janeiro. No entanto, em vez de investir em melhorias na infraestrutura, redução de tarifas ou ampliação de serviços, a empresa opta por gastar milhões em eventos que não trazem qualquer benefício à população. Esse tipo de conduta não só fere os princípios da administração pública, como também revela um descaso profundo com os reais interesses da sociedade.
É vergonhoso e revoltante que, em um país marcado por desigualdades e desafios sociais, recursos tão significativos sejam desviados para o financiamento de luxos desnecessários. Enquanto milhares de cidadãos lutam por condições básicas de vida, a CEDAE transforma o dinheiro público em festas para poucos. Esse é o retrato de um Carnaval da Impunidade, onde os responsáveis parecem agir sem qualquer temor às consequências.
Como advogado, mestre e doutor em Direito Constitucional, não me calarei diante desse cenário. Comprometo-me a levar esse caso à Justiça, buscando não apenas o ressarcimento integral dos valores gastos indevidamente, mas também a responsabilização criminal dos diretores envolvidos nesse escândalo. O dinheiro público deve ser tratado com respeito e seriedade, e aqueles que o desviam para fins particulares precisam ser punidos com rigor.
A sociedade não pode mais tolerar esse tipo de conduta. É hora de exigir transparência, ética e responsabilidade por parte daqueles que administram os recursos que são, afinal, de todos nós. A CEDAE precisa ser cobrada, e os responsáveis por esse desperdício devem responder por seus atos. O combate à impunidade é um dever de todos, e não descansarei até que a justiça seja feita.
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Victor Travancas é advogado, mestre e doutor em Direito Constitucional














