Visitantes levam 1,2 mil porções de drogas em feijão e carne em Bangu

Dois visitantes foram presos em flagrante no sábado (17) ao tentar entrar com mais de 1,2 mil porções de maconha e haxixe escondidas dentro de potes de comida no Presídio Nelson Hungria, localizado no Complexo de Gericinó, em Bangu, Zona Oeste do Rio.

O entorpecente estava misturado em recipientes com feijão e pedaços de carne que seriam servidos durante o almoço com os detentos. A revista de rotina barrou os dois antes da entrada no pátio interno.

Esquema de drogas em marmitas barra parentes em Bangu

A tentativa de burlar a fiscalização ocorreu durante o horário oficial de entrada de parentes. Uma mulher ia se encontrar com o pai, e um homem visitaria o próprio filho, de acordo com as informações confirmadas pela Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen).

O flagrante foi realizado por agentes do Grupamento de Portaria Unificada (GPU), setor da Polícia Penal responsável pela triagem detalhada de todos os pertences levados aos presídios fluminenses. Durante a inspeção manual e mecânica dos alimentos, os agentes notaram um volume estranho nos fundos dos recipientes térmicos e potes plásticos.

Ao revirar os mantimentos, a equipe encontrou os mais de 1.200 pequenos invólucros plásticos prensados com maconha e haxixe. O material estava completamente submerso no caldo do feijão e entre as peças de carne, numa tentativa de enganar o olfato dos policiais e o raio-x da portaria principal.

Após a apreensão, os dois suspeitos foram colocados sob custódia imediata no próprio complexo prisional e conduzidos até a delegacia de plantão da região. A carga ilícita foi apreendida para pesagem e perícia técnica oficial.

O que já se sabe sobre o caso

O caso seguiu diretamente para a 34ª DP (Bangu), unidade da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro encarregada da apuração de crimes cometidos na área do complexo penitenciário. O homem e a mulher prestaram depoimento ao delegado de plantão e foram autuados em flagrante pelo crime de tráfico de drogas, além de associação com o crime dentro de estabelecimento penal.

Com a formalização da prisão, a dupla perdeu o benefício da liberdade provisória imediata. Eles foram transferidos provisoriamente para uma carceragem de triagem da própria Seppen, onde aguardam audiência de custódia perante o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

A investigação policial busca descobrir agora quem preparou as marmitas fora do presídio e se o material seria dividido para consumo interno dos parentes ou revendido para outros detentos dentro das galerias do Nelson Hungria.

Quem responde por isso e o cerco em Gericinó

A ação faz parte da chamada Operação Illicitus, coordenada pela Seppen para conter a circulação de itens proibidos nas penitenciárias do Rio de Janeiro. O presídio Nelson Hungria é uma das várias unidades instaladas no Complexo de Gericinó, que reúne milhares de detentos de diferentes regimes prisionais.

Desde que os procedimentos foram endurecidos em agosto, a Seppen informou que já retirou de circulação mais de 1,5 mil aparelhos celulares e mais de 32 quilos de entorpecentes em todas as unidades prisionais fluminenses. Apenas entre os familiares e pessoas cadastradas no sistema de visitas, o número de prisões em flagrante alcançou 20 registros.

A vigilância interna também resultou na detenção de dois policiais penais nos últimos meses. Eles foram flagrados facilitando ou tentando entrar com materiais ilícitos para dentro das celas, demonstrando que a checagem recai sobre servidores e visitantes.

Como denunciar esquemas no sistema prisional

Quem tem informações sobre a cobrança de propinas, entrada de materiais proibidos ou ameaças dentro de unidades prisionais pode denunciar de maneira totalmente sigilosa. O Disque Denúncia do Rio funciona 24 horas por dia pelo telefone (21) 2253-1177, com atendimento anônimo garantido sem identificação da linha.

Outro canal disponível é a Ouvidoria da Secretaria de Estado de Polícia Penal, que recebe relatos e reclamações de parentes de detentos pelo portal oficial do Governo do Estado (rj.gov.br) ou presencialmente no Centro do Rio. Informações urgentes sobre irregularidades também podem ser levadas diretamente à 34ª DP, que fica na Rua Francisco Real, 505, em Bangu.

Como fica a rotina das visitas nos presídios

A tentativa de entrada de entorpecentes torna as revistas ainda mais lentas para as centenas de famílias que aguardam do lado de fora de Gericinó nas manhãs de sábado e domingo. Filas maiores e vistorias detalhadas em alimentos e peças íntimas costumam ser adotadas logo após apreensões volumosas.

O visitante pego com itens ilegais tem a carteira de visita suspensa automaticamente pela administração penitenciária, além de responder ao processo criminal comum. Para quem precisa de orientações sobre cadastramento regular, emissão de carteirinha de visita e lista de alimentos autorizados, o atendimento da Seppen atende presencialmente no posto central do Campo de Santana, no Centro da capital, de segunda a sexta-feira, das 9h às 16h.

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