Violência contra ambulantes no Rio gera denúncias e críticas à ausência da prefeitura

Reunião na Câmara Municipal

Violência contra ambulantes no Rio voltou ao centro do debate após uma audiência pública realizada nesta terça-feira (5) na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. O encontro reuniu trabalhadores, parlamentares e representantes de entidades para discutir denúncias de agressões durante fiscalizações na orla, mas foi marcado pela ausência de representantes da prefeitura.

A reunião foi organizada pelo vereador Leonel de Esquerda e teve como foco principal relatos de abordagens consideradas violentas por parte de agentes da Secretaria de Ordem Pública (Seop) e da Guarda Municipal. O tema ganhou repercussão recente após um episódio envolvendo uma artesã na Praia de Ipanema, que gerou protestos e ampla circulação nas redes sociais.

Durante a audiência, ambulantes relataram episódios de violência e dificuldades enfrentadas no dia a dia. Muitos são espancados de forma arbitrária. Eu já levei tiro de borracha nas costas. Todos os dias nós estamos batalhando, correndo e apanhando para ter sustento em casa, afirmou Elenice Cristina Moreira, vendedora de caipirinha em Copacabana.

Além das denúncias, também foram discutidas reivindicações ligadas às condições de trabalho. Entre os pontos levantados estão a instalação de banheiros químicos, criação de pontos de apoio para regularização da atividade, oferta de cursos de primeiros socorros e a padronização da categoria.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Comércio Informal de Rua do Rio de Janeiro (Sindinformal), Idison José da Silva, destacou a importância de uma abordagem mais voltada à organização do setor. Não tem que ser criminalização. Nós não somos estúpidos. Hoje, nós conhecemos as nossas questões e sabemos o quanto representamos na economia. Não vamos abrir mão da nossa história, disse.

A audiência contou com a presença de outros parlamentares e representantes de movimentos sociais, mas chamou atenção a ausência de autoridades do Executivo municipal. Segundo o organizador do encontro, foram convidados nomes como o prefeito e secretários responsáveis pela área, que não compareceram.

Durante o debate, o vereador criticou o que considera influência de interesses econômicos nas decisões sobre o comércio ambulante, citando a rejeição recente de um projeto que buscava reconhecer a atividade como patrimônio cultural imaterial da cidade. A gente vive em uma plutocracia. Uma falsa democracia que, na verdade, é uma democracia de quem tem dinheiro, afirmou.

Ainda de acordo com o parlamentar, está prevista uma nova reunião nesta quarta-feira (6), na Câmara Municipal, com a presença de secretários municipais para dar continuidade ao tema. A expectativa é de que representantes da Seop participem do encontro.

Dados apresentados durante a audiência indicam um descompasso entre a oferta de licenças e a demanda de trabalhadores. Em regiões como Copacabana e Lagoa, o número de interessados supera significativamente as vagas disponíveis.

Procurada para comentar o assunto, a prefeitura não se manifestou até a última atualização desta matéria, o que reforçou as críticas feitas durante o encontro e ampliou a pressão por respostas mais efetivas sobre a situação dos ambulantes na cidade.

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