A Polícia Federal deflagrou, nesta sexta-feira (30), mais uma fase da Operação Sisamnes, centrada na investigação de vazamento de informações judiciais sigilosas do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A ação, que ocorre em Palmas (TO), cumpre três mandados de busca e apreensão e apura ainda a concessão de privilégios ilegais a presos de fases anteriores da operação.
De acordo com a PF, os investigados teriam tido acesso antecipado a detalhes de operações sigilosas, prejudicando a eficácia das decisões judiciais. Dois alvos da ação foram proibidos de manter contato entre si, tiveram seus passaportes recolhidos e estão impedidos de sair do país.
As investigações começaram após o assassinato do advogado Roberto Zampieri, conhecido como “lobista dos tribunais”, morto a tiros em frente ao próprio escritório, em Cuiabá (MT), em 2023. A apuração do caso revelou um possível esquema de venda de sentenças no Tribunal de Justiça de Mato Grosso, que depois atingiu também o STJ.
Em fases anteriores, a operação prendeu empresários, afastou servidores do Judiciário e investigou operações imobiliárias suspeitas. O Supremo Tribunal Federal chegou a autorizar o sequestro de bens de magistrados, além da adoção de medidas cautelares como tornozeleiras eletrônicas e recolhimento noturno domiciliar.
A PF também descobriu uma rede clandestina de comercialização de dados sigilosos relacionados a investigações sensíveis, o que prejudicava diretamente a ação das forças de segurança. Empresários são suspeitos de lavar dinheiro obtido por meio de propinas para viabilizar a compra de decisões judiciais e dificultar o rastreamento dos valores.
Um dos nomes citados é o advogado Ussiel Tavares, ex-presidente da OAB-MT, que negou envolvimento com irregularidades e afirmou, em nota, que sempre agiu com legalidade e ética. Já o empresário Diego Cavalcante Gomes foi apontado como responsável por tentar obstruir o andamento da operação.
Na quarta-feira (28), cinco pessoas foram presas preventivamente, enquanto outras quatro foram colocadas sob monitoramento eletrônico. A ação se estendeu por Mato Grosso, São Paulo e Minas Gerais, com ordens de busca, apreensão de passaportes e sequestro de bens avaliados em R$ 30 milhões.
Na quinta-feira (29), um juiz do Tribunal de Justiça do Mato Grosso foi afastado do cargo. A PF também realizou novas buscas e impôs medidas como recolhimento domiciliar noturno e proibição de saída do país.
O nome da operação faz referência ao juiz Sisamnes, personagem da mitologia persa que foi condenado à morte após aceitar suborno para proferir uma sentença injusta, servindo como símbolo de punição à corrupção no sistema judiciário.














