Vasco vai à Justiça por jogo no Maracanã após novo veto do Fla-Flu

O presidente do Vasco, Pedrinho, confirmou que o clube vai acionar a Justiça para mandar o jogo decisivo contra o Boca Juniors no Maracanã. A medida ocorre após mais uma recusa do consórcio formado por Flamengo e Fluminense.

Disputa judicial pelo Maracanã esquenta decisão internacional

A diretoria vascaína decidiu bater o pé e buscar uma liminar no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O objetivo é garantir a partida de volta da semifinal da Copa Sul-Americana, agendada para o dia 20 de outubro, no gramado do maior palco do futebol carioca.

O clube tenta contornar os impedimentos logísticos e regulamentares da Conmebol. O regulamento do torneio exige uma capacidade mínima de 30 mil lugares a partir da fase semifinal. Como o Estádio de São Januário comporta atualmente cerca de 20 mil torcedores, o cruz-maltino precisou traçar um plano de emergência para receber os argentinos no Rio de Janeiro.

A prioridade máxima da gestão ainda é o estádio próprio, localizado em São Cristóvão, na Zona Norte. No entanto, ciente das dificuldades regulamentares, a direção cruz-maltina coloca o Maracanã como alternativa imediata antes de recorrer a outras praças esportivas, como o Estádio Nilton Santos, no Engenho de Dentro.

Por que o consórcio Fla-Flu barrou o acesso do Vasco?

A concessionária FLA-FLU Serviços S.A. justificou o veto apontando a necessidade de preservar as condições do gramado. No documento enviado, a gestora citou até mesmo impactos climáticos decorrentes do fenômeno El Niño para embasar o desgaste da grama durante o inverno carioca.

Segundo o consórcio, os meses de julho e agosto registraram temperaturas médias mais de 2°C acima do mesmo período do ano passado. Esse aquecimento atípico teria prejudicado a adaptação da grama Ryegrass, normalmente usada nos períodos mais frios, sem esquentar o bastante para fortalecer a espécie Bermuda Celebration, que forma a base do campo.

Para tentar solucionar o problema crônico do piso, a administração do estádio contratou consultoria agronômica especializada e aumentou a iluminação artificial. Os gestores alegam que uma sobrecarga de jogos neste momento comprometeria o gramado para os compromissos restantes da temporada.

Quais jogos já foram negados ao cruz-maltino?

O veto para a semifinal sul-americana não é um caso isolado e amplia uma sequência de atritos entre os clubes. O consórcio já havia barrado a presença vascaína em outros confrontos de grande apelo popular ao longo das últimas fases eliminatórias das competições nacionais e internacionais.

Entre as negativas recentes estão o duelo contra o Vitória e o confronto diante do Palmeiras, ambos disputados pelas fases decisivas da Copa do Brasil. Na própria Copa Sul-Americana, o pedido para mandar o jogo contra o Santa Fé, da Colômbia, também acabou rejeitado pela concessionária.

Diante do histórico de decisões desfavoráveis na esfera administrativa, a cúpula vascaína avalia que a intervenção do Poder Judiciário é o único caminho viável para fazer valer o termo de permissão de uso do bem público estadual.

Como está a força-tarefa por São Januário?

Paralelamente à briga jurídica nos tribunais, o Vasco trabalha nos bastidores com os órgãos de segurança pública do Estado do Rio de Janeiro. A intenção é convencer a Conmebol a abrir uma exceção e flexibilizar a exigência mínima de 30 mil lugares sentados.

O clube montou uma mesa de diálogo com representantes do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ), do Batalhão Especializado em Policiamento em Estádios (BEPE) da Polícia Militar e da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj). O grupo discute adaptações na segurança e nas rotas de escape do estádio histórico.

Um dos pontos centrais da negociação envolve a reserva de espaço para os torcedores do Boca Juniors. Pelo plano em estudo, seriam destinados 4 mil ingressos ao setor visitante, buscando viabilizar a autorização da entidade máxima do futebol sul-americano dentro da Colina Histórica.

O que acontece se a Justiça negar a liminar?

Caso a investida judicial não garanta o Maracanã e a Conmebol rejeite a utilização de São Januário, o Vasco já definiu sua terceira opção. O Estádio Nilton Santos surge como alternativa pronta para sediar o embate contra os argentinos.

A diretoria cruz-maltina elogiou o acolhimento oferecido pelo Botafogo em ocasiões anteriores em que precisou alugar o espaço. A arena localizada no bairro do Engenho de Dentro cumpre todas as exigências estruturais e de capacidade técnica exigidas pela entidade continental.

A definição final sobre o palco da semifinal deve sair nos próximos dias, já que a entidade organizadora da Sul-Americana exige a confirmação do estádio, do horário e do esquema de segurança com antecedência para orientar a logística e a venda de ingressos aos torcedores.

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