Vasco x Boca no Maracanã vira briga no STJ e jogo pode ir ao Paraguai

A partida decisiva entre Vasco e Boca Juniors pela semifinal da Copa Sul-Americana, marcada para o dia 20 de outubro, virou alvo de disputa jurídica no Superior Tribunal de Justiça. O Consórcio Fla-Flu tenta derrubar a liminar que autoriza o clube cruz-maltino a usar o Maracanã.

Disputa judicial ameaça mando de campo e Conmebol estuda levar partida para o exterior

O torcedor que planejava ir ao Maracanã para empurrar o time agora lida com a incerteza sobre onde o jogo vai acontecer. Logo após a Justiça fluminense liberar o estádio para o Vasco, o consórcio formado por Flamengo e Fluminense entrou com um pedido de suspensão de segurança no STJ para tentar impedir a realização do evento esportivo.

O pedido foi enviado na noite de terça-feira e deve passar pela análise direta do presidente da Corte, o ministro Luis Felipe Salomão. O ministro é tio de Paulo Salomão, que ocupou até o final do ano passado o cargo de vice-presidente geral na gestão de Pedrinho no Vasco.

A briga jurídica colocou a Conmebol em alerta máximo. A confederação sul-americana deu um aviso claro para a diretoria vascaína e para a Confederação Brasileira de Futebol: se surgir uma nova decisão que retire o mando do Maracanã sem solução imediata no Rio, o confronto sairá do Brasil e será disputado em campo neutro, no Paraguai.

Por que o Vasco não pode mandar o jogo em São Januário?

O regulamento da Copa Sul-Americana para as fases decisivas exige estádios com capacidade mínima superior ao limite de público permitido no Estádio de São Januário. Por essa razão técnica e estrutural, a diretoria cruz-maltina indicou o Maracanã para sediar o primeiro confronto contra os argentinos.

O presidente do clube, Pedrinho, declarou publicamente que a escolha do Maracanã foi a única alternativa viável para manter a partida no Rio de Janeiro. Segundo o dirigente, a insistência do consórcio em barrar o clube prejudica tanto a instituição quanto a competição internacional, já que a perda do mando tiraria a vantagem do time jogar ao lado da torcida carioca.

A perda do jogo no Maracanã também atinge diretamente os trabalhadores do entorno do estádio. Vendedores ambulantes, donos de bares da Tijuca e Maracanã, além de motoristas de aplicativo e taxistas, contavam com o faturamento de uma partida internacional com ingressos esgotados na Zona Norte.

Qual a justificativa apresentada pelo Consórcio Fla-Flu?

A empresa administradora do estádio afirma nos tribunais que a quantidade de jogos no Maracanã sobrecarrega o gramado, colocando em risco as partidas seguintes de Flamengo e Fluminense pelo Campeonato Brasileiro e outras competições da temporada. O desgaste do piso é o argumento central adotado pelos advogados da concessionária.

Além das questões da grama, o clima político entre os clubes do Rio se deteriorou. Pedrinho chegou a afirmar que cortou qualquer diálogo amistoso com Luiz Eduardo Baptista, presidente do Flamengo, por conta dos seguidos pedidos judiciais para travar a entrada da torcida vascaína no Maracanã.

A diretoria do Vasco sustenta que o Maracanã é um bem público concedido pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro. Por isso, defende que todos os grandes clubes do estado têm o direito de atuar no local pagando as taxas devidas e os custos operacionais exigidos pelo consórcio.

O que acontece com os ingressos e com quem comprou viagem?

Até que o STJ emita uma decisão oficial assinada pelo ministro presidente, a venda geral de ingressos para a partida contra o Boca Juniors permanece suspensa. O clube aguarda a segurança jurídica definitiva antes de abrir a comercialização de entradas para seus sócios e torcedores comuns.

Quem planeja viajar para o Rio de Janeiro ou comprou passagens com destino à capital fluminense precisa acompanhar as atualizações antes de reservar hospedagem. A mudança de país alteraria completamente a logística da semifinal, gerando transtornos para os torcedores de ambos os lados da fronteira.

Se a decisão da Corte for favorável ao consórcio e o confronto for levado para o Paraguai, o presidente vascaíno adiantou que tomará medidas firmes junto à própria Conmebol, cobrando critérios de igualdade para os times brasileiros que disputam torneios da entidade continental.

Quem responde e onde acompanhar as decisões oficiais

A resposta final cabe ao Superior Tribunal de Justiça, localizado em Brasília, por meio do gabinete da presidência. Qualquer nova decisão tem validade imediata a partir do momento em que for publicada no sistema eletrônico do tribunal.

O torcedor que quiser consultar os comunicados oficiais sobre o jogo, ingressos e transporte deve buscar exclusivamente os canais formais:

  • Portal oficial do Club de Regatas Vasco da Gama (vasco.com.br);
  • Site do Superior Tribunal de Justiça para andamento de processos públicos (stj.jus.br);
  • Central de atendimento ao sócio vascaíno pelo telefone oficial do clube;
  • Secretaria de Estado de Polícia Militar e órgãos de trânsito da cidade, caso a partida seja confirmada no Maracanã.

Os próximos dias serão determinantes para saber se o Maracanã voltará a receber uma noite de festa com o Vasco em campo ou se o torcedor carioca verá uma semifinal sul-americana ser transferida para outro país por conta de disputas de bastidor.

Limpatech