Funcionários da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Parque Burle, em Cabo Frio, pedem reforço urgente na segurança após um homem agredir equipes de enfermagem e destruir a triagem no último domingo (4).
O caso expôs mais uma vez a rotina de tensão vivida por quem depende do atendimento público de emergência e pelos trabalhadores da ponta do sistema.
Ataque na triagem da UPA de Cabo Frio assusta profissionais e pacientes
A confusão começou na noite de domingo, quando o acompanhante de uma pessoa que buscava socorro se revoltou contra os procedimentos de rotina da UPA de Cabo Frio. De acordo com relatos da equipe de saúde, o homem se recusou a esperar pela triagem preliminar, que inclui a checagem obrigatória dos sinais vitais antes do encaminhamento para os médicos de plantão.
O acompanhante exigiu entrada imediata no consultório, desrespeitando o fluxo de acolhimento. Diante da negativa dos profissionais, o homem passou a proferir xingamentos e partiu para a agressão física contra técnicos e enfermeiros, danificando equipamentos e móveis do setor de classificação de risco da unidade de saúde.
Trabalhadores da unidade relataram que o agressor precisou ser contido pelos seguranças locais até que a Polícia Militar fosse acionada. Por causa do pânico gerado na sala de espera, atendimentos precisaram ser temporariamente reorganizados, gerando apreensão em famílias que aguardavam consultas e medicações.
A Secretaria Municipal de Saúde de Cabo Frio confirmou o episódio em nota oficial. Segundo o órgão, a administração da unidade formalizou um boletim de ocorrência policial para que a Justiça tome as medidas cabíveis sobre o caso e apure os danos provocados ao patrimônio público.
O que já se sabe sobre a apuração
O caso foi registrado na 126ª Delegacia de Polícia (Cabo Frio), responsável pelas investigações na região. A administração da unidade hospitalar compareceu à delegacia para registrar a ocorrência de agressão e danos materiais causados durante a confusão no Parque Burle.
A UPA do Parque Burle dispõe de câmeras no circuito interno de monitoramento. No entanto, os servidores afirmam que ainda não tiveram acesso à confirmação sobre se as imagens captaram com clareza o momento exato das agressões para envio à Polícia Civil.
A Prefeitura de Cabo Frio afirmou que analisa a possibilidade de reforçar o quadro de vigias e equipes de segurança nas unidades de emergência do município. Contudo, o governo municipal não definiu uma data exata nem divulgou o número de agentes que devem ser contratados ou remanejados para a UPA.
Como fica o atendimento na unidade
Apesar do susto e dos prejuízos materiais no setor de recepção e triagem, a UPA de Cabo Frio segue funcionando em regime integral de 24 horas. O acolhimento aos pacientes continua seguindo a ordem de gravidade clínica estabelecida pelos protocolos de emergência, e não a ordem pura de chegada.
Para quem precisa de atendimento, a recomendação dos profissionais é manter a calma e respeitar os passos da triagem. Quando há casos graves com risco de morte, a prioridade é imediata, enquanto casos verdes e azuis, de menor complexidade, exigem um tempo maior de espera.
Os profissionais que trabalham no local temem que novos episódios aconteçam se não houver um policiamento mais presente e fixo na porta da unidade. Por causa do medo de represálias, os servidores preferiram não divulgar suas identidades na denúncia feita aos órgãos de imprensa.
Quem responde por isso
A investigação criminal sobre a violência contra os servidores públicos e a depredação da estrutura da unidade está sob responsabilidade da 126ª DP (Cabo Frio). Os policiais civis devem recolher depoimentos das testemunhas e verificar imagens gravadas pelo sistema de monitoramento para concluir o inquérito.
Na esfera administrativa e de infraestrutura, a gestão das UPAs e o fornecimento de seguranças patrimoniais competem à Secretaria Municipal de Saúde de Cabo Frio. A pasta declarou que mantém diálogo sobre melhorias nas condições de trabalho e de proteção de todos os usuários do sistema.
Como denunciar agressões e irregularidades
Casos de violência em repartições públicas, agressões contra servidores ou vandalismo em postos de saúde podem ser comunicados formalmente aos canais oficiais de denúncia e segurança do Estado do Rio de Janeiro:
- Disque Denúncia: Atendimento anônimo pelo telefone (21) 2253-1177, funcionando 24 horas por dia para repasse de dados sobre crimes.
- Polícia Militar: Em caso de flagrante ou ameaça iminente em locais públicos, ligue 190.
- 126ª Delegacia de Polícia (Cabo Frio): Localizada na Avenida Wilson Mendes, s/nº, no bairro São Cristóvão, para registro presencial de ocorrências.
- Ouvidoria Geral da Saúde de Cabo Frio: Atendimento a pacientes para queixas e solicitações sobre serviços municipais pelo portal oficial da prefeitura.














