Pais de pacientes se reuniram em protesto nesta terça-feira (9) em frente à sede administrativa da Unimed Ferj, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio. A manifestação ocorreu após avisos de que terapias oferecidas a crianças poderiam ser suspensas devido à falta de pagamento da operadora às clínicas credenciadas.
De acordo com os organizadores, o risco de interrupção atinge pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), paralisia cerebral, síndrome de Down e doenças raras. Com cartazes e faixas, os manifestantes ocuparam uma faixa da Avenida Ayrton Senna, pedindo que a Unimed cumpra a liminar da Justiça que determina a quitação das dívidas com as clínicas conveniadas.
Mãe de uma criança autista, Roberta relatou ao jornal O Dia que o filho faz tratamento na mesma clínica há três anos e que a interrupção representaria um retrocesso. A Unimed está com sete notas em aberto, já vindo da Unimed Rio, e juntou mais dívidas com a Unimed Ferj. Nosso filho vem evoluindo muito só com as terapias. É importante que o pagamento seja feito para não haver retrocesso no desenvolvimento dele, afirmou.
O pai da criança, Júlio César, também criticou a situação. Hoje a gente tem um custo mensal de R$ 600. Recentemente, precisei usar o plano para um dermatologista e a funcionária disse que a Unimed não pagava os boletos há três meses. Há risco de descredenciamento em várias áreas, disse.
Casos semelhantes já haviam sido registrados desde abril, quando mães de crianças com TEA atendidas no Recreio dos Bandeirantes também enfrentaram a ameaça de suspensão de serviços. Para Ezequiel Amaro Ferreira, pai de gêmeos autistas, a crise se agravou com a transição da Unimed Rio para a Unimed Ferj. Estão sendo fechadas as portas. Mesmo com o boleto pago, meus filhos ficaram sem atendimento porque a Unimed não paga a clínica e cancela metade das terapias. Cancelaram até as acompanhantes terapêuticas, sem as quais eles não conseguem frequentar a escola, desabafou.
Além das terapias infantis, pacientes oncológicos também relataram dificuldades recentes. O descredenciamento de unidades levou à transferência de atendimentos para o Espaço Cuidar Bem, em Botafogo, onde foram apontados problemas de estrutura, falta de profissionais e medicamentos. O espaço chegou a ser autuado pelo Procon e alvo de ações judiciais.
Procurada, a Unimed Ferj ainda não se manifestou sobre os atrasos nos pagamentos e as denúncias apresentadas pelas famílias.














