A UFRJ inaugura laboratório sustentável voltado a transformar resíduos sólidos e gás carbônico em materiais capazes de gerar energia e abastecer setores industriais. A nova estrutura foi aberta pelo Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais (IVIG) e se alinha às discussões que marcaram a COP30, realizada no Rio nas últimas semanas, reforçando o compromisso da universidade com soluções ambientais de alto impacto.
O espaço reúne pesquisadores dedicados a enfrentar dois grandes desafios atuais: o excesso de lixo e a urgência em reduzir emissões que aceleram o aquecimento global. Uma das frentes trabalha na conversão de CO₂ em barrilha, substância essencial para a indústria do vidro e para áreas da química, saneamento e petróleo.
Cada tonelada de barrilha produzida sequestra cerca de 450 quilos de CO₂, ajudando a evitar o aquecimento do planeta, explicou Marcos Aurélio Vasconcelos Freitas, coordenador-geral do IVIG. Segundo ele, aproximadamente 70% da produção tem destino garantido no setor vidreiro.
Outro equipamento do laboratório utiliza resíduos que iriam para o lixo — como plásticos, restos vegetais, cascas de frutas e podas de árvores — para produzir combustíveis, óleos e carvão com potencial fertilizante.
O carvão, por exemplo, tem uma infinidade de aplicações: na agricultura, filtros, e por aí vai. Os plásticos dão um produto final que é óleo com característica de óleo combustível, que pode ser fracionado em gasolina e diesel. O que se joga fora aqui pode ser tratado e recuperado em valor econômico, destacou o pesquisador Gilberto Romeiro.
Para a UFRJ, o laboratório representa também uma aproximação com metas ambientais assumidas pelo Brasil na COP30. O reitor Roberto Medronho afirmou que a universidade pretende expandir o modelo, futuramente instalando unidades semelhantes em outras regiões, em parceria com instituições públicas e privadas.
Os pesquisadores avaliam que as tecnologias desenvolvidas podem gerar uma transformação profunda na gestão de resíduos. Segundo Freitas, modelos em desenvolvimento indicam que futuras centrais seriam capazes de ocupar apenas 10% da área utilizada hoje por aterros sanitários, além de recuperar o investimento inicial em até cinco anos, combinando impacto ambiental e retorno econômico.
A expectativa da universidade é que o laboratório se torne referência nacional em inovação, economia circular e soluções climáticas, abrindo caminho para novos projetos que aproximem ciência, indústria e políticas públicas.














