UFF aciona Polícia Federal após ameaças contra estudantes em Niterói

A Universidade Federal Fluminense acionou formalmente a Polícia Federal nesta quinta-feira após receber denúncias de ameaças contra estudantes e prédios da instituição em Niterói. As intimidações se espalharam por aplicativos de mensagens logo depois de uma manifestação política de alunos.

Universidade Federal Fluminense pede investigação à Polícia Federal

A direção da Universidade Federal Fluminense tomou a decisão de procurar a autoridade policial após a circulação de postagens em redes sociais que pregavam ataques à integridade física de alunos e servidores. Além das mensagens direcionadas a grupos específicos de discentes, alguns textos mencionavam possíveis danos ao patrimônio físico dos prédios universitários espalhados pelo município de Niterói.

Segundo a administração universitária, as providências formais foram adotadas de imediato para garantir a segurança e a tranquilidade no ambiente de ensino. O material com prints de conversas, postagens e perfis que propagaram os conteúdos hostis foi compilado pela reitoria e entregue diretamente aos agentes federais. A medida busca identificar os autores e conter riscos dentro das dependências universitárias.

A mobilização dos estudantes ocorreu dias antes nas ruas de Niterói, quando grupos de universitários organizaram um ato político pacífico. Pouco tempo depois do fim da caminhada, integrantes de centros acadêmicos e coletivos relataram o recebimento de mensagens anônimas de ódio e promessas de retaliação em ambientes digitais, gerando apreensão entre familiares e jovens que frequentam as aulas diariamente.

O que já se sabe sobre o caso

Os relatos de intimidação ganharam força na internet ao longo da semana. Alunos afirmaram que fotos e dados pessoais de participantes da manifestação começaram a ser compartilhados sem autorização em grupos fechados de mensagens instantâneas. Junto com as imagens, surgiram ameaças diretas de agressão caso novas reuniões fossem realizadas no entorno da universidade.

A Reitoria da Universidade Federal Fluminense confirmou que tomou ciência dos fatos por meio de sua ouvidoria e de alertas enviados por diretórios acadêmicos. Por se tratar de uma instituição pública federal de ensino, a apuração de crimes contra seus prédios e sua comunidade cabe prioritariamente à Polícia Federal, que agora analisa a origem dos disparos de mensagens.

Até o momento, nenhum suspeito foi detido ou intimado publicamente. A direção da universidade não determinou a suspensão das atividades acadêmicas nem o fechamento de portões nos polos de ensino, mantendo a rotina administrativa enquanto aguarda orientações e medidas preventivas por parte dos órgãos de segurança.

Como fica a rotina nos campi em Niterói

Para quem estuda, trabalha ou utiliza os serviços da instituição em bairros como Gragoatá, Praia Vermelha e Centro, o funcionamento segue a programação habitual de aulas e atendimentos ao público. As linhas de ônibus municipais e intermunicipais que ligam Niterói ao Rio de Janeiro e aos municípios da Baixada Fluminense operam sem restrições ou desvios de rota na região.

A segurança patrimonial interna da instituição reforçou a atenção nos acessos de pedestres e veículos nas unidades mais movimentadas. Servidores e seguranças que atuam nas portarias foram orientados a observar movimentações incomuns e acionar a central caso pessoas estranhas tentem ingressar sem identificação para criar tumulto ou constrangimento.

O comércio do entorno dos campi universitários, composto por lanchonetes, copiadoras e papelarias que dependem do fluxo dos universitários, também funciona normalmente. Moradores das imediações acompanham o caso com preocupação, já que os campi movimentam diariamente milhares de jovens nos horários de entrada e saída das aulas noturnas.

Como denunciar casos de ameaça e intimidação

Pessoas que tenham informações sobre os responsáveis pelas mensagens hostis ou que presenciem qualquer ato suspeito nas imediações dos polos universitários podem recorrer aos canais anônimos de atendimento à população no Estado do Rio de Janeiro. A colaboração de testemunhas ajuda a resguardar a segurança coletiva:

  • Disque Denúncia do Rio: O telefone de contato é (21) 2253-1177, com funcionamento 24 horas por dia, garantia total de sigilo e opção de atendimento por aplicativo de mensagens.
  • Polícia Federal: A Superintendência Regional no Rio de Janeiro fica na Avenida Rodrigues Alves, 1, na Saúde, e recebe informações formais e queixas diretamente em sua sede ou pelo portal oficial da corporação.
  • Polícia Militar: Em situações de urgência imediata ou ameaça flagrante nas ruas ao redor dos campi, o acionamento deve ser feito pelo telefone de emergência 190.
  • Ouvidoria da UFF: Casos internos de assédio ou perseguição podem ser comunicados formalmente pela plataforma oficial Fala.BR ou nos canais da reitoria.

O que fazer se você foi vítima de perseguição virtual

Alunos, servidores ou cidadãos comuns que forem alvo de mensagens intimidatórias, linchamentos virtuais ou ameaças graves pela internet devem tomar cuidados imediatos para preservar a prova do crime antes de qualquer outra medida:

O primeiro passo é registrar imagens nítidas da tela, incluindo data, hora e o número de telefone ou link completo do perfil que enviou a ofensa. É essencial não apagar as conversas e evitar responder às provocações, o que impede que o agressor apague pistas relevantes para os peritos.

Com as provas reunidas, o cidadão pode procurar qualquer delegacia da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro para confeccionar o Registro de Ocorrência. Em Niterói, a 76ª Delegacia de Polícia (Centro) atende a área principal da região. O registro também pode ser aberto pela internet por meio do portal da Delegacia Online da Polícia Civil, informando todos os detalhes do ocorrido.

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