TSE suspende site que oferecia criptomoeda em troca de propaganda para Flávio Bolsonaro, investiga compra de votos

TSE suspende site de criptomoedas ligado a campanha de Flávio Bolsonaro e investiga compra de votos

A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a suspensão do site “brasil22token.com”. A plataforma distribuía criptomoedas como recompensa por publicações de cunho eleitoral em favor do senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL).

A medida atende a uma representação da coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que solicitou a investigação pela Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) sobre possíveis irregularidades.

A decisão do TSE visa coibir a prática de propaganda eleitoral remunerada e a potencial compra de votos, com a suspensão imediata da oferta e distribuição de tokens ou qualquer outra vantagem econômica vinculada à campanha “Brasil 22 Token” ou ao candidato identificado pelo número 22.

Suspeitas de propaganda eleitoral e compra de votos

A coligação de Lula apontou no pedido à PGE fortes suspeitas de propaganda eleitoral paga. O site em questão promovia um programa que oferecia 30 mil tokens para as primeiras mil pessoas que publicassem conteúdo de divulgação para Flávio Bolsonaro em redes sociais como X, Instagram e TikTok.

Um exemplo citado na representação envolve o grupo de dança infantil HypersKids, de Uganda. O grupo teria recebido 120 milhões de tokens na noite de quarta-feira (7/10). Pouco tempo depois, o perfil do grupo no Instagram, com mais de 12 milhões de seguidores, publicou um vídeo onde crianças pedem votos para o número 22, associando a campanha a um “Brasil melhor”.

Valor dos tokens e contradição nas declarações

Segundo a coligação, os 120 milhões de tokens transferidos ao grupo HypersKids equivaliam a aproximadamente R$ 104,5 mil na cotação da quinta-feira (8/10). O ativo, de acordo com o documento, movimentou cerca de R$ 1,06 milhão em apenas 24 horas.

Embora o site “brasil22token.com” afirme que a distribuição dos ativos é “independente de voto, preferência eleitoral ou divulgação de propaganda eleitoral”, a coligação argumenta que essa declaração contradiz as mensagens divulgadas pelos organizadores em outros canais, que explicitamente associam as recompensas ao incentivo ao voto em Flávio Bolsonaro.

Pedidos de investigação e preservação de dados

Diante das evidências, a coligação de Lula requisitou à PGE a preservação de registros importantes para a investigação. Isso inclui informações de perfis no Instagram e X, um grupo no Telegram e a conta na Binance de onde partiram os recursos para a criação do token.

O objetivo é a abertura de uma investigação criminal para apurar a extensão das práticas ilícitas e a possível configuração de crime eleitoral, garantindo a lisura do processo democrático.

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