TSE mantém remoção de postagens que ligam Flávio Bolsonaro à “rachadinha” e a crimes
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou, em decisão unânime, a retirada de publicações nas redes sociais que vinculavam o senador Flávio Bolsonaro (PL) à “Operação Unha e Carne”, da Polícia Federal (PF), e a atividades criminosas.
As postagens em questão associavam o parlamentar a organizações criminosas, milícias, lavagem de dinheiro e à prática conhecida como “rachadinha”. A decisão referenda uma liminar previamente concedida pela relatora do caso, ministra Estela Aranha, que já havia ordenado a remoção do material em até 24 horas, proibindo sua republicação.
A relatora avaliou que as publicações excederam os limites da crítica política, atribuindo ao candidato ligações com o crime organizado sem qualquer base factual mínima. Conforme divulgado pelo Metrópoles, a ministra ressaltou que a liberdade de expressão na internet não é ilimitada, especialmente quando a divulgação de conteúdos viola normas eleitorais, justificando assim a remoção.
Liberdade de expressão e limites na internet
Segundo a ministra Estela Aranha, a associação de candidatos a organizações criminosas, sem um lastro empírico, pode prejudicar a honra dos envolvidos e comprometer a normalidade e a legitimidade do processo eleitoral. A representação que levou à decisão foi apresentada pelo Diretório Nacional do Partido Liberal (PL).
Os alvos da representação incluem figuras políticas como a ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT), os deputados federais Lindbergh Farias (PT), Guilherme Boulos (PSol) e Rogério Correia (PT). Perfis de redes sociais como “PT na Câmara”, “Lula conta comigo”, “Brasil pra Frente”, “Anti Bolsonaro Real” e “Lázaro Rosa”, além da empresária Aurilene Monteiro, conhecida como “Gata Canhota”, também foram citados.
Entenda a “Operação Unha e Carne”
A “Operação Unha e Carne” da Polícia Federal investiga uma suposta organização criminosa que utilizava uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro para lavar dinheiro, com indícios de participação de agentes públicos. A investigação teve desdobramentos significativos, incluindo prisões de figuras políticas.
Um dos episódios relevantes ocorreu em dezembro de 2025, com a prisão de Rodrigo Bacellar, então presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), sob suspeita de vazar informações sigilosas sobre uma operação policial. Em outubro de 2023, na oitava fase da operação, a PF apontou que o grupo teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos.
Conexões políticas sob investigação
Flávio Bolsonaro manteve relações políticas com alguns dos investigados na “Operação Unha e Carne”. Em julho de 2025, o senador almoçou com Rodrigo Bacellar em Búzios (RJ), em um momento em que Bacellar buscava apoio político. Posteriormente, em agosto de 2026, Flávio Bolsonaro declarou não ter conhecimento das acusações contra Bacellar quando lhe ofereceu apoio.
A articulação eleitoral também envolveu Mário Canella, ex-prefeito de Belford Roxo (RJ) e deputado estadual eleito. Flávio Bolsonaro apoiou a pré-candidatura de Canella ao Senado em 2026, e Rogéria Bolsonaro, mãe do senador, chegou a ser anunciada como suplente na chapa. Canella, contudo, desistiu da disputa e, posteriormente, foi preso no âmbito da operação.













