Três Rios alcançou a terceira posição no Estado do Rio de Janeiro em mulheres atendidas pela Patrulha Maria da Penha, somando 1.640 vítimas acompanhadas. Para conter a violência doméstica na região, a Polícia Militar vai enviar novos agentes e viaturas ao município.
Reforço de agentes e novas viaturas no atendimento a mulheres ameaçadas
Os números apresentados pela Secretaria de Estado de Polícia Militar do Rio de Janeiro mostram uma demanda alta por proteção no interior fluminense. Três Rios fica atrás apenas de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, que lidera o ranking estadual com cerca de 4 mil mulheres atendidas, e de Barra do Piraí, que registra 1.874 casos ativos sob monitoramento contínuo.
Para dar conta desse volume, o comando da corporação confirmou o envio de reforços imediatos para o 38º Batalhão de Polícia Militar, sediado em Três Rios. O plano geral destina 24 novos policiais e viaturas com blindagem para seis bases estratégicas espalhadas pelo estado, cobrindo pontos críticos da Baixada, da Região Serrana e da Zona Norte da capital fluminense.
As regiões escolhidas para essa etapa concentram 42% de todo o público atendido pelo programa no território estadual, reunindo 23.423 mulheres sob medidas protetivas concedidas pela Justiça. Com a nova estrutura, a corporação quer diminuir o tempo entre as rondas preventivas e garantir que agressores proibidos de se aproximar das vítimas não descumpram as determinações judiciais.
Quem responde pelo policiamento e onde o serviço será ampliado
A segurança e a fiscalização direta das medidas na cidade de Três Rios e municípios vizinhos ficam sob responsabilidade do 38º Batalhão de Polícia Militar. Além da unidade do Centro-Sul fluminense, a ampliação estrutural atinge outras frentes operacionais que registram índices pesados de violência doméstica:
- 10º BPM (Barra do Piraí): atende o segundo maior contingente do interior, com 1.874 mulheres sob proteção;
- 20º BPM (Mesquita): atua na Baixada Fluminense cobrindo demandas integradas a Nova Iguaçu;
- 39º BPM (Belford Roxo): faz a vigilância protetiva de 1.280 mulheres na Baixada;
- 41º BPM (Irajá): cobre a Zona Norte da capital, onde 1.036 vítimas recebem acompanhamento regular;
- 4ª Companhia Independente de Polícia Militar (Itaguaí): recebe atendimento direto da patrulha pela primeira vez, aliviando a sobrecarga do 24º BPM, situado em Queimados.
Segundo a PMERJ, os agentes que integram essas equipes atuam como voluntários. Todos passam por treinamento específico sobre direitos das mulheres, aplicação da legislação de gênero e técnicas de avaliação de risco antes de irem às ruas fazer o contato direto com as famílias atendidas.
O que já se sabe sobre o funcionamento da Patrulha Maria da Penha
Criado para fiscalizar o cumprimento das decisões judiciais expedidas pelos Juizados de Violência Doméstica, o programa Patrulha Maria da Penha – Guardiões da Vida completou sete anos de operação. Durante esse período de atuação contínua no estado, o projeto já prestou assistência a mais de 135 mil mulheres e realizou mais de mil prisões em flagrante por desrespeito às ordens de afastamento.
O trabalho principal consiste em visitas rotineiras às residências e aos locais de trabalho das vítimas. Os policiais checam se o agressor continua mantendo distância e orientam sobre procedimentos de emergência caso haja ameaça iminente. O reforço anunciado busca acelerar a frequência dessas visitas domiciliares na área do 38º BPM.
Como denunciar agressões e pedir ajuda
Mulheres que enfrentam situações de violência doméstica ou vizinhos que presenciem agressões contam com canais diretos e confidenciais para acionar o poder público. Para emergências imediatas ou quando a violência estiver acontecendo no momento, a orientação é ligar diretamente para o telefone 190 da Polícia Militar, que aciona a viatura mais próxima.
Informações anônimas sobre agressores foragidos, porte ilegal de armas ou descumprimento de medidas judiciais podem ser passadas pelo Disque Denúncia do Rio pelo telefone (21) 2253-1177, que funciona 24 horas por dia com garantia total de sigilo. A população também pode enviar relatos e denúncias por meio do aplicativo Disque Denúncia RJ ou pelo portal oficial do programa.
Nacionalmente, a Central de Atendimento à Mulher atende pelo número 180. A ligação é gratuita, funciona em qualquer dia da semana e fornece orientação detalhada sobre a rede municipal de acolhimento, abrigos disponíveis e os passos jurídicos para solicitar apoio preventivo.
O que fazer se você foi vítima de violência doméstica
Para obter a medida protetiva de urgência que garante a vigilância da Patrulha Maria da Penha, a mulher precisa formalizar a denúncia. O procedimento pode ser feito em qualquer delegacia de polícia, preferencialmente nas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAM). Em Três Rios e cidades que não contam com unidade especializada, a queixa deve ser levada à delegacia de Polícia Civil local.
A vítima deve apresentar documento oficial com foto e relatar detalhadamente as agressões, perseguições ou ameaças sofridas. É permitido anexar mensagens de texto, áudios, fotos de lesões corporais ou indicar testemunhas que ajudem a comprovar a situação de vulnerabilidade.
Após o registro da ocorrência, o delegado encaminha o pedido de medida protetiva ao juiz competente em até 48 horas. Assim que a Justiça concede a ordem que afasta o agressor do lar ou proíbe aproximação, os dados são repassados ao batalhão da área para que a equipe da patrulha inicie as visitas presenciais de monitoramento.














