A fiscalização do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro confirmou quatro prisões por boca de urna e investiga denúncias de compra de votos na capital e na Baixada Fluminense neste domingo de votação.
Fiscalização eleitoral aperta o cerco contra crimes nas ruas do Rio
O balanço oficial das ações de fiscalização foi apresentado pelo juiz Marcello Rubioli, titular da Fiscalização da Propaganda Eleitoral do TRE-RJ, durante coletiva no Palácio da Democracia, no Centro do Rio. Segundo o magistrado, o pleito transcorreu dentro da normalidade na maior parte do estado, mas equipes precisaram agir rápido para coibir flagrantes perto dos colégios eleitorais.
Até a tarde, quatro pessoas haviam sido presas em flagrante tentando aliciar eleitores ou distribuindo material irregular perto das seções. O tribunal informou que recebeu dezenas de outros chamados sobre a mesma prática, mas muitos infratores fugiram antes da chegada dos agentes da fiscalização eleitoral e da polícia militar.
Além dos flagrantes de boca de urna, o órgão recebeu denúncias sobre tentativas diretas de compra de votos. Os casos relatados se concentram no bairro de Pedra de Guaratiba, na Zona Oeste do Rio, e nos municípios de São João de Meriti e Japeri, ambos na Baixada Fluminense. Até o encerramento do balanço à tarde, nenhum montante de dinheiro havia sido apreendido pelas equipes em campo.
O que já se sabe sobre as ocorrências e filas
Apesar das quatro prisões, a presidência da corte eleitoral fluminense destacou que não foram registradas ocorrências de violência grave ou confrontos armados ligados ao processo eleitoral nas áreas monitoradas. Os episódios de irregularidade foram tratados de forma pontual.
O tribunal também registrou uma fatalidade dentro de uma zona de votação na Barra da Tijuca, na Zona Oeste carioca. Um eleitor idoso sofreu um infarto fulminante enquanto aguardava para votar e morreu no local. O corpo foi retirado pelo serviço funerário competente após a realização dos procedimentos de praxe, e a votação na seção seguiu normalmente ao longo do dia.
A Justiça Eleitoral destacou ainda que a grande concentração de eleitores no período da manhã provocou filas extensas em diversas seções do estado. Muitos cidadãos optaram por votar logo cedo para evitar o calor da tarde, o que gerou lentidão temporária em colégios das Zonas Norte e Oeste do Rio e na Baixada Fluminense.
Como fica a punição para o derrame de santinhos
Outro problema recorrente que tomou as calçadas da capital fluminense foi a chamada ‘chuva da madrugada’. Milhares de panfletos com propaganda de candidatos amanheceram espalhados pelo chão em frente às maiores escolas eleitorais, gerando sujeira e risco de queda para os pedestres, principalmente idosos.
As Zonas Norte e Oeste foram as mais prejudicadas pelo despejo clandestino de papel. Equipes do TRE-RJ atuam em parceria direta com garis da Companhia Municipal de Limpeza Urbana para recolher o material descartado e identificar os nomes beneficiados pela propaganda irregular.
O juiz Marcello Rubioli alertou que os políticos responsáveis pelo despejo estão sujeitos a pesadas multas eleitorais. Para haver punição criminal, no entanto, a Justiça Eleitoral e o Ministério Público precisam comprovar que o próprio candidato ordenou diretamente a distribuição irregular na véspera da votação.
Como denunciar irregularidades eleitorais
O cidadão fluminense que presenciar flagrantes de boca de urna, compra de votos, transporte irregular de pessoas ou ameaças ligadas à política pode formalizar denúncia imediata aos órgãos competentes. Todo relato fundamentado ajuda a instruir processos de cassação e processos criminais.
- Aplicativo Pardal: ferramenta oficial desenvolvida pela Justiça Eleitoral para envio rápido de fotos, localização exata e áudios que comprovem propaganda ilegal ou coação. O download é gratuito nas lojas para aparelhos Android e iOS.
- Disque Denúncia do Rio de Janeiro: recebe informações anônimas durante 24 horas pelo telefone 2253-1177 ou por mensagem no WhatsApp pelo número (21) 2253-1177.
- Plantão Policial: situações de tumulto em frente às escolas, agressão ou flagrante delito devem ser acionadas imediatamente via telefone 190 da Polícia Militar, ou levadas à delegacia de Polícia Civil da circunscrição do bairro.
O material reunido pela fiscalização e pelas denúncias populares agora segue para análise do Ministério Público Eleitoral, que tem a prerrogativa de abrir inquéritos formais e mover ações de perda de diploma contra os beneficiados por crimes nas urnas.














