A Polícia Civil investiga um esquema criminoso que impede operadoras legais de internet de atender moradores de São Gonçalo. A ação prejudica famílias que ficam sem opção de sinal e dependem de serviços clandestinos ligados a criminosos.
Agentes da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados, a DDSD, cumpriram três mandados de busca e apreensão na última segunda-feira, dia 28. As diligências aconteceram nos bairros Pita e Engenho Pequeno, resultando em uma pessoa presa em flagrante.
Esquema armado pelo crime organizado afeta moradores em São Gonçalo
Quem vive nos bairros afetados enfrenta rotina de insegurança e falta de serviços básicos essenciais. Segundo as investigações da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, o tráfico de drogas usou a força das armas para expulsar grandes companhias de telecomunicação da região. O objetivo central é obrigar os moradores a contratar apenas um provedor local ligado ao grupo armado.
Equipes técnicas de empresas regulares relataram ameaças graves de homens armados ao tentar entrar nas ruas do Pita e do Engenho Pequeno. Técnicos foram expulsos enquanto tentavam consertar cabos rompidos ou instalar novos pontos de acesso. Cabos foram cortados de propósito e caixas de distribuição acabaram destruídas para interromper o fornecimento legal de sinal.
Na operação, os policiais apreenderam computadores, telefones celulares, contratos, cadernos de anotações financeiras, mapas de cabeamento, rolos de fibra óptica e caixas de terminação óptica (CTOs). De acordo com a corporação, parte dos aparelhos apreendidos pertencia originalmente a operadoras formais, confirmando o uso de material furtado na rede pirata.
O que já se sabe sobre a investigação da polícia
O inquérito da DDSD apura pelo menos quatro crimes graves cometidos pelos responsáveis pelo provedor clandestino. Entre eles estão associação criminosa, receptação de equipamentos roubados, interrupção de serviço telegráfico ou telefônico e atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública.
A polícia confirmou que o homem detido em flagrante prestava serviços para o provedor suspeito. Os agentes agora analisam os documentos contábeis e os aparelhos eletrônicos apreendidos para mapear o fluxo de dinheiro. A meta é descobrir exatamente qual facção criminosa lucra com as mensalidades pagas pela população local e identificar os empresários de fachada envolvidos.
Como denunciar abusos e corte de sinal clandestino
O morador que notar o corte repentino de cabos, receber ameaças para trocar de plano ou desconfiar de empresas clandestinas pode denunciar de forma totalmente segura. A principal ferramenta é o Disque Denúncia do Rio de Janeiro, que funciona sem necessidade de identificação pessoal.
- Telefone do Disque Denúncia: (21) 2253-1177 (atendimento 24 horas por dia).
- WhatsApp do Disque Denúncia: (21) 2253-1177.
- Aplicativo: Disque Denúncia RJ, disponível para celulares Android e iPhone.
- DDSD (Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados): localizada na Cidade da Polícia, na Rua Bernardo de Vasconcelos, 757, Benfica, Zona Norte do Rio. A unidade apura fraudes e sabotagens contra serviços públicos concessionados.
O que fazer se você foi vítima de corte forçado de internet
Se os técnicos da sua operadora informarem que não podem ir até a sua residência por causa de riscos na segurança pública, a primeira providência é registrar a reclamação formal na própria empresa. Anote sempre o número de protocolo, o dia e o horário do atendimento.
Com os protocolos em mãos, o consumidor deve procurar os canais da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) pelo telefone 1331 ou pelo aplicativo oficial Anatel Consumidor. A agência precisa saber quais áreas estão desassistidas para cobrar providências e garantir que o cliente não pague por dias sem conexão.
Em caso de extorsão ou ameaça direta na porta de casa por pessoas exigindo a troca de provedor, o registro de ocorrência pode ser feito pela internet, na Delegacia Online da Polícia Civil (dedic.pcerj.rj.gov.br), ou diretamente na 73ª DP (Neves) ou na 72ª DP (Mutuá), que atendem os bairros de São Gonçalo.
Como fica a rotina de quem depende da rede no bairro
A sabotagem contra as redes de telecomunicações impacta serviços essenciais nos bairros de São Gonçalo. Trabalhadores em regime de home office, pequenos comerciantes que dependem de máquinas de cartão e estudantes ficam sem conexão por dias seguidos. O comércio local relata perdas de vendas quando o sinal cai após ações de vandalismo na fiação dos postes.
A Polícia Militar informou que o 7º BPM (São Gonçalo) mantém o patrulhamento preventivo pelas vias principais dos bairros Pita e Engenho Pequeno. No entanto, o retorno das equipes técnicas das operadoras autorizadas ainda depende de avaliações de segurança feitas pelas próprias empresas concessionárias nos próximos dias.














