Tatuador é morto por PM no Cachambi e família contesta versão

O tatuador Willyan Curado da Silva, de 28 anos, morreu após ser baleado por um policial militar de folga no Cachambi, Zona Norte do Rio, na noite desta segunda-feira. A família contesta a versão apresentada pelo agente.

O caso aconteceu na Rua Baldraco, onde funciona a sede do motoclube Vikings. A companheira da vítima afirmou que o marido foi atacado de surpresa, sem chance de reagir, na frente do filho de quatro anos do casal.

Investigação apura morte de jovem em sede de motoclube na Zona Norte

Segundo o relato da esposa da vítima, a perita criminal Cris Reis, o crime aconteceu de forma repentina enquanto amigos e familiares estavam reunidos no local. Ela tentou prestar socorro imediato e estancar os ferimentos ainda no imóvel, mas o tatuador não resistiu aos ferimentos provocados pelos disparos.

Willyan, conhecido na região pelo apelido de Cobra, trabalhava no estúdio Bullet Tattoo Ink, localizado na mesma rua onde o episódio aconteceu. O sepultamento do tatuador foi marcado para a tarde desta terça-feira, no Cemitério de Inhaúma, também na Zona Norte da cidade.

A versão apresentada pelo policial militar envolvido é bem diferente da sustentada pelos parentes da vítima. De acordo com a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, o agente afirmou que houve uma discussão prévia dentro do motoclube. Ele declarou que atirou porque o tatuador teria sacado uma réplica de arma de fogo durante o desentendimento. A família, no entanto, nega essa narrativa e afirma que os disparos continuaram mesmo quando Willyan já descia as escadas da sede.

Agentes da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da comunidade do Jacaré foram acionados para atender a ocorrência de homicídio no endereço informado. Ao chegarem à sede do motoclube, os militares encontraram Willyan caído, sem sinais vitais. O autor dos disparos permaneceu no local da ocorrência, se identificou para a guarnição como policial militar e entregou sua arma para os procedimentos padrão.

O que já se sabe sobre o caso

A área do crime foi imediatamente isolada para os trabalhos de perícia da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), unidade da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro responsável pelo inquérito. A equipe recolheu cápsulas, apreendeu a arma usada na ação e recolheu o simulacro citado pelo PM para envio à perícia técnica.

Investigadores da especializada já ouviram testemunhas que presenciaram a confusão, incluindo frequentadores do bar e a viúva do tatuador. Imagens de câmeras de segurança instaladas no estabelecimento e em imóveis vizinhos na Rua Baldraco foram solicitadas para esclarecer a dinâmica dos disparos e verificar se houve de fato ameaça antes dos tiros.

A Corregedoria Geral da Polícia Militar informou que acompanha o caso de perto. O órgão instaurou um procedimento apuratório interno para analisar a conduta do agente, que estava fora do horário de serviço no momento dos disparos. O militar pode responder criminal e administrativamente.

Quem responde por isso

O caso está sob responsabilidade direta da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), sediada na Barra da Tijuca, que centraliza as investigações de mortes violentas e ações com envolvimento de agentes públicos na cidade. É a DHC quem define se o policial será indiciado por homicídio culposo, doloso ou se agiu em legítima defesa.

No âmbito da corporação, a Corregedoria Geral da PMERJ avalia a infração disciplinar do servidor. Familiares da vítima podem solicitar acompanhamento do processo junto à Ouvidoria da Polícia Militar, além de buscar suporte na Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) para acompanhar o inquérito oficial.

Como denunciar

Quem estava na Rua Baldraco no momento do crime ou tem gravações de celular e imagens de segurança pode ajudar as investigações repassando detalhes de forma segura. O Disque Denúncia do Rio recebe informações pelo telefone (21) 2253-1177, com funcionamento 24 horas por dia e garantia total de anonimato.

Informações também podem ser encaminhadas diretamente pelo aplicativo “Disque Denúncia RJ” ou pelo WhatsApp do serviço, no número (21) 98849-6099. Caso a testemunha prefira prestar depoimento presencial com resguardo de identidade, pode comparecer à sede da Delegacia de Homicídios da Capital portando documento oficial com foto.

Limpatech