A Polícia Militar prendeu na manhã de quarta-feira (28) o homem de 35 anos apontado como o principal suspeito pelo feminicídio de Fabiana Inácio da Rocha, de 47 anos, morta na semana passada no bairro Morin, em Petrópolis.
O suspeito, identificado como Paulo José Pontes de Souza, estava foragido havia quase uma semana e acabou localizado perto das 5h16 em um ponto de ônibus no trevo de Bonsucesso, no bairro Nogueira.
Prisão em ponto de ônibus encerra fuga de quase uma semana
A localização do suspeito aconteceu após uma denúncia anônima repassada ao 26º Batalhão de Polícia Militar (Petrópolis). A informação apontava que ele estaria tentando conseguir abrigo e ajuda financeira na casa de familiares na região.
A partir do alerta, os policiais militares iniciaram rondas pelo distrito e conseguiram novos detalhes sobre as características físicas do homem. Uma equipe o avistou sentado sozinho em uma parada de transporte público perto do trevo de Bonsucesso. Durante a revista inicial, os agentes não encontraram armas ou drogas com ele.
O homem não carregava documentos civis e tentou omitir dados pessoais durante as perguntas dos militares. Diante da recusa em apresentar a identificação completa, os policiais o colocaram na viatura e o conduziram até a 105ª Delegacia de Polícia (Petrópolis) para conferência civil e criminal.
Na delegacia distrital, os agentes civis confirmaram que se tratava de Paulo José Pontes de Souza. Durante o processo de checagem dos dados no sistema integrado de segurança, a Justiça expediu formalmente o mandado de prisão preventiva pelo crime de feminicídio. Ele permaneceu detido na carceragem da unidade policial, aguardando transferência para o sistema prisional do estado.
O que já se sabe sobre o crime no Morin
O caso teve início na manhã de quinta-feira (22), quando Fabiana Inácio da Rocha foi encontrada morta dentro da casa onde morava, na Rua Vereador João F. Castro, no bairro Morin. Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi chamada para atender a uma ocorrência de emergência e constatou que a mulher já estava em óbito.
Os socorristas notaram de imediato marcas evidentes de agressões e diversos ferimentos corporais, acionando a Polícia Militar para isolar o imóvel. Segundo relatos colhidos com vizinhos pela equipe de investigação, a vítima e o companheiro tiveram uma briga violenta entre 19h e 21h30 da noite anterior.
Testemunhas informaram que, logo após o fim da discussão, o aparelho de som do imóvel foi acionado em volume excessivo, impedindo a audição de novos barulhos na residência. Na manhã seguinte, o suspeito teria procurado um morador vizinho alegando que a mulher estava apenas desmaiada no chão. O vizinho foi até o local, viu a vítima caída perto da porta de entrada e chamou o resgate médico imediatamente. Antes que qualquer viatura chegasse à rua, o agressor fugiu a pé.
A perícia do Instituto de Criminalística Carlos Éboli realizou os exames técnicos na casa, e o corpo foi recolhido para o Instituto Médico-Legal (IML) de Petrópolis para a emissão do laudo cadavérico com a causa da morte. De acordo com a apuração policial, Paulo havia deixado uma unidade prisional há pouco tempo, onde cumpria pena justamente por violência doméstica com base na Lei Maria da Penha.
Como denunciar casos de violência contra a mulher
Moradores que testemunharem brigas domésticas ou suspeitarem de violência contra mulheres podem pedir socorro imediato acionando o telefone 190 da Polícia Militar. A viatura mais próxima da região é enviada ao endereço para interromper o risco à vida da vítima.
Para repassar informações anônimas sobre procurados pela Justiça ou crimes em andamento na Região Serrana, o canal indicado é o Disque Denúncia pelo telefone (21) 2253-1177, que funciona de forma ininterrupta durante 24 horas por dia. O serviço garante o sigilo total da identidade do denunciante.
A Central de Atendimento à Mulher atende pelo número 180 em âmbito nacional. O serviço oferece orientação gratuita, registra queixas de agressões físicas e psicológicas e indica a unidade de apoio social ou jurídica mais próxima do domicílio da mulher atendida.
O que fazer se você foi vítima de agressão doméstica
Mulheres que sofrem ameaças ou violência devem comparecer à unidade da Polícia Civil mais próxima para registrar o boletim de ocorrência presencial. Em Petrópolis, o atendimento geral funciona na 105ª DP, situada no bairro Retiro, e na 106ª DP, localizada em Itaipava.
Para abrir o procedimento, basta levar um documento oficial com foto, como carteira de identidade física ou digital, carteira de trabalho ou CNH. Durante o atendimento na delegacia, a vítima pode solicitar de imediato as Medidas Protetivas de Urgência, que obrigam o agressor a manter distância física e proíbem qualquer tipo de contato por telefone ou aplicativo.
O registro de ameaças ou lesões leves também pode ser iniciado pela internet por meio do portal da Delegacia Online da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro. Em situações onde há lesão corporal aparente, a mulher é encaminhada ao IML para realizar o exame de corpo de delito, documento técnico fundamental para sustentar o pedido de prisão judicial do agressor.















