Sistema Guandu atinge 100% de producao, mas agua ainda demora a chegar

A Estação de Tratamento de Água do Sistema Guandu voltou a operar com 100% de sua capacidade às 17h desta quarta-feira (4). Mesmo com a produção plena pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae), a regularização nas torneiras ainda pode demorar em diversos pontos da Região Metropolitana.

Por que a água não cai imediatamente na sua torneira

A produção de água tratada foi retomada na sua totalidade, mas o percurso até as casas envolve etapas complexas. A água precisa percorrer quilômetros de adutoras e tubulações primárias antes de encher os reservatórios de bairro e chegar aos canos residenciais.

As concessionárias privadas responsáveis pela distribuição nas ruas precisam recompor a pressão aos poucos. Se as válvulas forem abertas com força total imediata, o impacto da pressão pode estourar adutoras e arrebentar canos antigos. Por isso, a rede é pressurizada de maneira gradual e monitorada pelas equipes técnicas.

A paralisação anual preventiva começou na terça-feira (3), às 4h, e os reparos internos da Cedae foram concluídos antes do prazo final, por volta das 23h30 do mesmo dia. No entanto, o bombeamento de água para a rede só começou de manhã, às 6h24 de quarta-feira. Esse intervalo foi solicitado pelas concessionárias para que pudessem concluir reparos próprios de infraestrutura e encher tubulações de grande porte com segurança.

Quem sofre mais com a demora na volta do serviço

A normalização varia conforme o relevo e a distância em relação aos grandes reservatórios de distribuição. Casas localizadas em pontos altos, morros e nas chamadas pontas de rede demoram mais para receber o fluxo. A água precisa primeiro encher todas as tubulações das áreas planas e baixas para conseguir vencer a gravidade e gerar pressão suficiente para subir.

Na Zona Norte do Rio, a situação ganhou um complicador a mais com um reparo emergencial realizado na Praça Seca, mantendo 51 bairros com desabastecimento prolongado. Nesses locais, a recuperação da rede depende tanto da carga do Guandu quanto da finalização do conserto local nas tubulações.

Famílias que não contam com cisternas ou caixas-d’água de grande capacidade sentem o desabastecimento de forma imediata. A recomendação dos técnicos é que a população economize água limpa para tarefas essenciais, adiando a lavagem de calçadas, roupas acumuladas ou uso contínuo de mangueiras enquanto o sistema não estiver equalizado.

O que o morador deve fazer se o hidrômetro não rodar

Se a água não voltou para a sua residência nas primeiras horas de retomada, o primeiro passo é checar se as boias e os registros de entrada estão totalmente abertos. Em muitos casos, pequenas bolsas de ar presas nos canos internos do imóvel impedem a descida do fluxo logo na primeira recarga da rede externa.

Persistindo a falta de abastecimento, o consumidor deve formalizar uma reclamação diretamente com a empresa que cobra a sua conta de água. É fundamental anotar os números de protocolo de cada ligação. O registro ajuda os técnicos a identificar ruas ou quarteirões inteiros que continuam despressurizados.

Caso a residência continue seca após as primeiras previsões informadas pelas concessionárias, o cidadão pode solicitar envio de apoio emergencial, principalmente se a casa abrigar idosos, pessoas doentes ou crianças pequenas.

Canais de atendimento e como pedir caminhão-pipa

Moradores da capital e de cidades da Baixada Fluminense devem recorrer às concessionárias que atendem seus respectivos municípios e bairros. Hospitais, postos de saúde, escolas e creches têm prioridade operacional na entrega de água por meio de veículos de transporte.

Clientes da Águas do Rio, responsável pelo abastecimento no Centro, Zona Sul, Zona Norte e partes da Baixada Fluminense, podem entrar em contato gratuitamente pelo telefone ou WhatsApp no número 0800 197 0111. As agências presenciais da empresa também acolhem chamados das 9h às 16h em dias úteis.

Para quem reside na Zona Oeste atendida pela concessionária Rio+Saneamento, a central telefônica funciona pelo número 0800 400 0504. Já os bairros da Zona Oeste atendidos pela Iguá Saneamento (como Barra da Tijuca e Jacarepaguá) dispõem de atendimento no 0800 400 0565 e suporte digital no número (21) 99744-8287 via WhatsApp.

Em casos de falta contínua sem assistência das concessionárias, a ouvidoria da Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro (Agenersa) pode ser acionada pelo telefone 0800 026 8555 para registrar fiscalização sobre a conduta das empresas.

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