Roubo de Cargas no RJ: Menor Índice Desde 1999 Revela Mudança Alarmante no Perfil do Crime

Instituto de Segurança Pública

Rio de Janeiro enfrenta paradoxo no roubo de cargas: menos crimes, mas com maior valor agregado.

Um cenário contraditório tem marcado o combate ao roubo de cargas no Rio de Janeiro. Embora os números de ocorrências apresentem uma queda significativa, o valor total dos bens subtraídos disparou, gerando preocupação entre especialistas e o setor produtivo.

Dados recentes compilados pelo Sindicarga, com base em informações do Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ), revelam que houve uma redução de 9,4% nos registros de roubo de cargas em 2025 em comparação com o ano anterior. Contudo, o valor dos bens roubados aumentou alarmantes 16,16% no mesmo período.

Essa mudança no perfil da criminalidade sugere que os criminosos estão migrando para alvos de maior valor agregado, o que impacta diretamente a logística e a economia do estado. A situação, segundo especialistas, exige uma atuação mais assertiva das forças de segurança e uma análise aprofundada das causas que fomentam esse tipo de crime.

DRFC intensifica ações e registra queda expressiva em maio

A Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC), sob o comando do delegado André Prates, tem intensificado suas investigações e operações. Essa atuação especializada parece estar surtindo efeito, especialmente em maio de 2026, que registrou 198 ocorrências de roubo de carga, o menor índice para o mês desde 1999, representando uma queda de 24,1% em relação ao ano anterior.

Apesar da queda pontual em maio, o acumulado de janeiro a maio de 2026 apresentou um crescimento de 20,9%, totalizando 1.576 ocorrências. A queda em maio é atribuída pelas autoridades ao recrudescimento das operações policiais especializadas.

Alimentos e produtos de alto valor são os alvos preferenciais

A investigação aponta que alimentos e produtos similares continuam sendo os alvos preferenciais dos criminosos. A gravidade da situação é tamanha que, conforme relatos da Associação de Atacadistas e Distribuidores do Estado do Rio de Janeiro (Aderj), alguns distribuidores já enfrentam dificuldades para operar em certas localidades devido ao domínio territorial do tráfico.

O presidente do Sindicarga, Filipe Coelho, ressalta que o impacto na logística e produtividade é imediato, e esse custo acaba sendo repassado à sociedade. Ele questiona como gerar desenvolvimento econômico em áreas sob o domínio do poder paralelo, defendendo uma atuação conjunta entre o setor produtivo e os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

Informalidade e mercado ilegal agravam o problema

O secretário do Conselho de Combate ao Mercado Ilegal da Fecomércio-RJ, João Gomes, conecta o roubo de cargas a um fenômeno mais amplo de informalidade e ao consumo de produtos do mercado ilegal pela população. Ele descreve a situação como um emaranhado de causas que se retroalimentam, dificultando o combate eficaz.

Edson Vismona, presidente do Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), aponta a falta de meios suficientes para as forças de segurança combaterem efetivamente o mercado ilegal e alerta para o contrabando de produtos vendidos em marketplaces.

Nova direção na DRFC e resultados concretos

Desde fevereiro de 2026, o delegado André Prates Fraga lidera a DRFC, trazendo uma experiência marcada por operações de grande impacto, como a que coordenou na Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA). Sua gestão na DRFC tem priorizado a inteligência e a integração com outras forças de segurança.

A postura proativa e o atendimento humanizado às vítimas, como o caso de um motorista que teve a carga roubada e foi pessoalmente atendido pelo delegado, têm sido destacados como diferenciais. Marcelo Turbo, diretor de Segurança do Sindicarga, elogia o compromisso de Prates, que vai além do cumprimento de metas.

A DRFC também tem intensificado operações em rodovias, utilizando barreiras inteligentes e monitoramento de rotas críticas. Em abril de 2026, uma investigação revelou movimentações financeiras superiores a R$ 116 milhões ligadas a uma organização criminosa especializada em roubo de cargas, com ramificações em outros estados.

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