O ex-deputado estadual e ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, vai deixar a Penitenciária Federal de Mossoró e voltar para o sistema prisional fluminense após autorização do Supremo Tribunal Federal.
Decisão do STF autoriza retorno de ex-deputado ao Rio
A ordem de transferência partiu do ministro Alexandre de Moraes, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF). A Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen) confirmou que recebeu a notificação judicial e começou a organizar a logística com o governo federal.
As conversas para viabilizar o transporte do preso acontecem junto à Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen). Por questões estratégicas e de segurança, a data exata da viagem e a cadeia que receberá Bacellar no Rio ainda não foram divulgadas pelos órgãos oficiais.
O político perdeu o mandato parlamentar e estava detido na unidade de segurança máxima no Rio Grande do Norte desde o primeiro semestre. Ele foi alvo de investigações que apuram envolvimento de autoridades com facções criminosas e lavagem de dinheiro no estado.
O que já se sabe sobre a apuração policial
Bacellar foi capturado pela Polícia Federal em março deste ano em sua residência particular, localizada no município de Teresópolis, na Região Serrana fluminense. Essa prisão marcou a terceira etapa da Operação Unha e Carne.
A investigação aponta que o ex-parlamentar teria repassado informes confidenciais sobre ações policiais destinadas a prender traficantes do Comando Vermelho. Ele já havia sido detido no final do ano passado pelo mesmo motivo, mas obteve liberdade temporária antes de ser preso novamente.
Conforme os relatórios da Polícia Federal, o vazamento inicial tentava blindar o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido publicamente como TH Joias. TH Joias é suspeito de negociar armamentos pesados para abastecer a facção criminosa.
Quem responde por isso e como andam as investigações
O caso corre sob a responsabilidade do Supremo Tribunal Federal e conta com atuações diretas da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. As apurações avançaram nos últimos meses e revelaram ramificações em diversos setores públicos do território fluminense.
Em etapas posteriores da mesma operação policial, investigadores prenderam outro parlamentar, o deputado Thiago Rangel. A apuração aponta fraudes na compra de insumos na Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc), incluindo o loteamento de cargos para lideranças do tráfico de drogas.
Na quinta fase dos trabalhos, os policiais federais miraram a cúpula do jogo do bicho e executores de esquemas de lavagem de dinheiro na Baixada Fluminense e na capital. Mandados foram cumpridos em São João de Meriti e na cidade do Rio de Janeiro, atingindo empresários e religiosos ligados ao grupo investigado, além do bloqueio judicial de cerca de R$ 22 milhões em bens.
O que muda na rotina e como fica a segurança
A chegada de um ex-chefe de poder público a uma unidade prisional estadual exige esquemas reforçados de escolta. O trajeto aéreo entre o Rio Grande do Norte e os aeroportos do Rio de Janeiro costuma mobilizar viaturas táticas e agentes penitenciários federais e estaduais.
Nas ruas por onde o comboio passa no Rio, bloqueios pontuais no trânsito costumam ocorrer de maneira rápida para garantir o deslocamento seguro. O presídio de destino precisa obedecer a regras de isolamento para presos que possuem prerrogativas ou que respondem por crimes de grande repercussão pública.
O sistema carcerário do estado do Rio de Janeiro segue monitorado pela Seppen, que deve informar ao tribunal de origem assim que a transferência for concluída e a cela for devidamente ocupada pelo detento.
Como denunciar esquemas criminosos no Rio de Janeiro
A população que tiver informações sobre crimes praticados por organizações ilegais, contravenção ou vazamento de operações pode acionar os canais anônimos de segurança pública. O Disque Denúncia do Rio funciona 24 horas por dia e atende pelos números:
- Telefone convencional: (21) 2253-1177;
- Ligação gratuita para localidades específicas: 0300 253 1177;
- Atendimento via WhatsApp com garantia de sigilo: (21) 2253-1177;
- Aplicativo oficial Disque Denúncia RJ para aparelhos celulares.
O sigilo sobre a identidade de quem telefona é absoluto por lei. As denúncias recebidas são repassadas diretamente aos núcleos de inteligência da Polícia Civil e da Polícia Federal para checagem em campo.














