Ricardo Salles defende “passar a boiada” como medida para desburocratizar e critica adversários em meio a dados ambientais preocupantes.
O ex-ministro do Meio Ambiente e atual candidato ao Senado, Ricardo Salles (Novo), voltou a defender a expressão “passar a boiada”, utilizada por ele em 2020. Segundo Salles, a intenção era propor uma ampla desburocratização administrativa e do empreendedorismo no Brasil, visando simplificar licenças, autorizações e regras consideradas excessivas.
Em entrevista recente, Salles reiterou que o Brasil é “o inferno do empreendedor”, com uma “via cruzes” para quem busca investir ou abrir negócios. Ele argumentou que sua fala na reunião ministerial de abril de 2020 buscava justamente modernizar e remover “óbstruções formais” em diversas áreas, não apenas no meio ambiente.
No entanto, a justificativa de Salles surge em um contexto onde o desmatamento na Amazônia registrou um aumento significativo durante sua gestão. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que a área desmatada na região saltou de 7,5 mil km² em 2018 para 13 mil km² em 2021. Conforme informação divulgada pelo Inpe, o problema ambiental na Amazônia passou de 7,5 mil km² em 2018 para mais de 10 mil km² em 2019 e chegou a 13 mil km² em 2021.
Desmatamento em alta sob gestão Salles
Os números do desmatamento na Amazônia durante o período em que Ricardo Salles esteve à frente do Ministério do Meio Ambiente são um ponto de forte contestação. O Inpe registrou um aumento expressivo, passando de 7,5 mil km² em 2018 para 13 mil km² em 2021. Essa escalada contrasta com períodos anteriores e posteriores de gestão.
Em contrapartida, Salles criticou a gestão da atual adversária ao Senado, Marina Silva. Ele afirmou que, sob o comando de Marina Silva no ministério, entre agosto de 2025 e julho de 2026, os alertas de desmatamento somaram 2.8 km², uma queda de 36% em relação ao ciclo anterior, o menor resultado da série histórica iniciada em 2016. “O discurso da Marina é muito bonitinho na história do desmatamento e mudança climática, mas o saneamento básico, que é o principal problema ambiental brasileiro, ela não dá a menor bola”, alegou Salles.
Salles réu por suposto esquema de contrabando de madeira
Além das questões ambientais e da justificativa para a expressão “passar a boiada”, Ricardo Salles enfrenta um processo judicial. Ele é réu na Justiça sob a acusação de ter facilitado o contrabando de madeira ilegal extraída da Amazônia. O ex-ministro nega veementemente as acusações.
Salles argumentou que a narrativa de “desmonte ambiental” foi escrutinada e concluída pelo Judiciário, e que “não houve desmonte ambiental nenhum, era tudo mentira”. Ele atribuiu as críticas a “narrativas” que prevaleceram em meio à polarização política e à cobertura da imprensa durante o governo Bolsonaro.
Futuro político de Salles
Olhando para o futuro, Ricardo Salles indicou que, caso não seja eleito senador, pretende seguir atuando como advogado. Contudo, ele também expressou o desejo de concorrer à prefeitura de São Paulo em eleições futuras. Salles criticou a atual gestão municipal, mencionando o prefeito Ricardo Nunes (MDB) e o pré-candidato Guilherme Boulos, e afirmou ter “certeza” que venceria ambos em uma disputa pela prefeitura.














