Ressaca destrói casas na Fronteira e Macaé amplia aluguel social

A forte ressaca que atingiu o litoral de Macaé nesta semana voltou a invadir o bairro da Fronteira, avançando sobre imóveis e aumentando o risco para os moradores. O município reforçou o atendimento habitacional para amparar as famílias afetadas pela força do mar.

A erosão costeira é um problema antigo e grave na região litorânea do município. Um estudo técnico detalhado, elaborado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 2024 a pedido da prefeitura, já havia constatado que a praia perdeu cerca de 30 metros de faixa costeira ao longo dos últimos anos, o que exige a remoção urgente das moradias erguidas perto da água.

Prefeitura reforça assistência após avanço do mar na Fronteira

Diante do agravamento constante do avanço marítimo, representantes da Prefeitura de Macaé se reuniram diretamente com os moradores da Fronteira para debater a situação das casas atingidas. A prioridade estabelecida pelo município é garantir a segurança física das famílias que vivem na área de risco.

A Secretaria Municipal de Defesa Civil de Macaé mantém equipes de prontidão no bairro para monitorar as marés e acompanhar a situação dos imóveis condenados pela erosão. O órgão atua na interdição das estruturas danificadas e participa das demolições quando há necessidade imediata de eliminar riscos de desabamento.

A orientação oficial das autoridades é para que nenhum morador permaneça em edificações que apresentem rachaduras, estalos ou trincas causadas pela força das ondas. A desocupação da faixa de areia é considerada fundamental para que o poder público consiga avançar nas etapas de contenção e urbanização.

Como funciona o apoio habitacional e quem tem direito

Para dar suporte aos moradores removidos das áreas de perigo, o município mantém diferentes modalidades de assistência social e habitacional. Atualmente, 270 famílias da Fronteira recebem o benefício do Aluguel Emergencial, enquanto cerca de 30 famílias são atendidas pelo Auxílio Emergencial pago pelo poder público.

Os atendimentos sociais e financeiros são gerenciados pela Secretaria Executiva de Habitação em conjunto com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social. As pastas realizam a triagem das famílias em situação de vulnerabilidade para garantir que recebam a moradia provisória enquanto aguardam soluções permanentes.

Outra alternativa oferecida às famílias cadastradas é o Programa de Compra Assistida. Essa iniciativa foi criada para permitir a realocação definitiva dos moradores afetados pela maré, viabilizando a aquisição de novos imóveis localizados em bairros seguros e distantes da linha do mar.

Como fica a rotina do bairro e o impacto no dia a dia

A destruição das casas e a interdição constante de terrenos alteram profundamente a rotina de quem mora, trabalha ou circula pela Fronteira. Muitas famílias precisam deixar a história de uma vida inteira para trás, adaptando-se a novos endereços e mudando rotinas de trabalho e transporte público.

O trânsito em vias mais próximas da faixa de areia costuma ser interrompido durante os períodos de mar agitado para evitar acidentes com resíduos cobrindo as pistas. A recomendação da prefeitura é que pedestres e motoristas evitem circular nas áreas sinalizadas pela fiscalização municipal durante os alertas de ressaca.

Comércios e pequenos serviços locais também sentem o impacto da redução de moradores na faixa costeira. A Defesa Civil segue patrulhando o local para impedir que estruturas desocupadas sejam invadidas ou gerem novos acidentes com a população da região.

O que fazer em caso de perigo e onde pedir socorro

Quem reside na Fronteira e notar estalos nas paredes, avanço incomum das águas ou deslocamento de terra deve deixar a residência imediatamente. As autoridades pedem que a população acione o atendimento de emergência sem tentar salvar pertences materiais em momentos de maré alta.

  • Secretaria Municipal de Defesa Civil de Macaé: atendimento de emergência 24 horas pelo telefone 199 ou pelo WhatsApp (22) 99103-4285.
  • Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro: acione o telefone 193 em casos de desabamento, resgate ou socorro imediato.
  • Secretaria Executiva de Habitação: atendimento às famílias atingidas para atualização cadastral e inclusão nos programas sociais na sede do órgão municipal.
  • Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social: acompanhamento assistencial e emissão de documentação de apoio.

O que fica decidido e o que ainda não foi confirmado

Para definir os próximos passos na Fronteira, a Prefeitura de Macaé avalia a realização de um novo estudo técnico geológico na orla. A intenção é obter dados atualizados sobre a velocidade do recuo da faixa de areia e entender como o mar vem se comportando após as últimas tempestades.

Ainda não há uma data confirmada para o início das obras de contenção definitiva ou para a conclusão do novo laudo técnico sobre a área atingida. O município reforça que qualquer intervenção estrutural na costa depende da atualização desses estudos técnicos e da desocupação total dos imóveis condenados.

Enquanto as análises não são concluídas, as fiscalizações na Fronteira seguem diárias. As equipes de assistência social continuam percorrendo o bairro para cadastrar famílias afetadas e garantir a manutenção do Aluguel Emergencial e do programa de compra de novas moradias.

Limpatech