Processo contra Dimitri Payet poderá ser arquivado por falta de provas, diz MPRJ

Larissa Ferrari e Payet

O Ministério Público do Rio de Janeiro solicitou o arquivamento do processo contra Dimitri Payet, jogador do Vasco da Gama, que era investigado por supostos crimes de violência física, psicológica e sexual. O órgão afirma que não encontrou provas suficientes para dar continuidade à denúncia feita pela advogada Larissa Ferrari. A defesa da mulher recorreu da decisão, que ainda poderá ser reavaliada.

Larissa havia registrado ocorrência contra o atleta francês, alegando agressões durante o relacionamento afetivo que mantinham. Em depoimento, ela relatou episódios de abuso, incluindo tapas e mordidas, e afirmou que o jogador teria pisado em seu rosto. No entanto, após análise das provas, o MPRJ concluiu que as interações entre os dois indicavam consentimento mútuo em práticas de natureza sexual com elementos de sadomasoquismo.

De acordo com o parecer do Ministério Público, as mensagens trocadas entre Larissa e Payet apontam para uma relação consensual, com envolvimento afetivo e práticas que incluíam agressões físicas como parte do fetiche sexual do casal. O órgão destacou que as conversas não demonstravam desconforto, mágoa ou constrangimento por parte da denunciante durante o período do relacionamento.

A promotoria acrescenta que Larissa reconheceu em depoimento ser diagnosticada com transtorno de personalidade borderline e que Payet estava ciente de sua condição. Mesmo assim, segundo o MP, os dois mantinham vínculo afetivo, e a decisão de Larissa em registrar a ocorrência teria sido motivada pelo término da relação e pela recusa do jogador em manter o romance após o retorno à França, previsto para o fim do contrato com o Vasco.

Ainda segundo os autos, Larissa enviou espontaneamente vídeos e imagens íntimas para o atleta durante o período em que estavam juntos. O Ministério Público concluiu que, diante da ausência de testemunhas, laudos médicos e outros elementos técnicos que sustentassem as acusações, não havia elementos suficientes para caracterizar os crimes denunciados.

Em relação à violência psicológica, o parecer ressaltou que o depoimento isolado da vítima, sem apoio de documentos, testemunhos ou atendimentos psicológicos, não seria suficiente para sustentar a acusação. Já no tocante às marcas físicas, como os hematomas apresentados por Larissa, o MP avaliou que tais sinais poderiam ter ocorrido dentro dos limites do consentimento mútuo entre as partes.

Mesmo com o pedido de arquivamento, Larissa Ferrari contesta a decisão. Em entrevista, ela afirmou: “Usou meu transtorno mental como se eu fosse doente a esse nível antes. Não tem cabimento não levarem a sério e não darem continuidade na investigação, sendo que eu tenho testemunhas no Rio e aqui (Paraná)”, em depoimento ao jornal Extra.

A advogada afirma ter recorrido ao Conselho Nacional de Justiça e considera que o Ministério Público ignorou seu relato, priorizando apenas a versão apresentada pela defesa do jogador. Ela também declarou que solicitou uma medida protetiva, ainda não concedida pelas autoridades judiciais.

O caso gerou grande repercussão desde que veio a público, especialmente pela notoriedade de Payet, que atua como uma das principais estrelas do Vasco. O jogador não se pronunciou oficialmente sobre a decisão do MPRJ até o momento.

A defesa de Larissa pretende seguir com as ações cabíveis para reverter o arquivamento, enquanto aguarda novas manifestações do Judiciário. Ainda não há prazo definido para a análise do recurso apresentado. O caso segue sendo acompanhado por entidades de defesa da mulher e organizações ligadas à saúde mental.

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