Justiça prorroga prisão de Milton Leite, investigado por relação com o PCC em esquema de transporte público em SP
A Justiça de São Paulo prorrogou por mais 30 dias a prisão temporária de Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo. Ele é um dos investigados na Operação Vectura Corrupta, que apura o envolvimento do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas de transporte público na capital paulista.
A decisão de prorrogar a detenção foi confirmada por fontes da Polícia Civil ao portal Metrópoles. Milton Leite está preso desde 18 de setembro, quando se apresentou às autoridades após não ser encontrado em sua residência durante a operação.
O ex-vereador é suspeito de envolvimento em um esquema de infiltração do PCC no sistema de transporte público de São Paulo, especialmente em contratos públicos com a empresa Transwolff. Ele é acusado de ser o verdadeiro dono da companhia, com os demais diretores atuando como “laranjas”. As informações são do Metrópoles.
Milton Leite se entrega e nega acusações
Milton Leite se apresentou na Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes. Ele já era considerado foragido após não cumprir o prazo de 24 horas para se apresentar às autoridades. Em declarações à imprensa, o ex-vereador negou todas as acusações.
“Eu não cometi nenhum crime e nada devo. Eu nego todas as acusações e tenho convicção de que sou inocente. Eu acredito na justiça, no trabalho da polícia. Temos oportunidade agora de provar tudo o que foi dito”, afirmou Leite na delegacia.
Durante as buscas na residência de um assessor ligado ao ex-vereador, antes de sua apresentação, a Polícia Civil encontrou R$ 280 mil e US$ 89 mil, totalizando aproximadamente R$ 737 mil.
Suposta relação com a Transwolff e o PCC
As investigações apontam para uma suposta relação entre Milton Leite e a empresa de transporte coletivo Transwolff. Em depoimento em fevereiro de 2026, um sargento da Polícia Militar preso na época afirmou que Milton Leite seria o proprietário da Transwolff, investigada por lavagem de dinheiro para o PCC.
Segundo o depoimento, os demais diretores da empresa atuavam como “laranjas”. O sargento relatou que um capitão da Polícia Militar, que também atuou como segurança de Milton Leite, passou a comandar a equipe de segurança dos diretores da Transwolff por intermédio do vereador, que na época era assessor militar da Câmara Municipal e trabalhava diretamente com Leite.
Na época das primeiras alegações, Milton Leite negou conhecer o sargento que fez o depoimento e reiterou não ser dono da Transwolff. Ele afirmou que ofereceu seus sigilos bancário, fiscal e telefônico ao Ministério Público, e que nada foi encontrado, pois não participou de nenhuma ilegalidade.
Operação Vectura Corrupta e o alcance do esquema
A Operação Vectura Corrupta foi deflagrada pela Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MPSP). A Justiça decretou a prisão temporária de 16 investigados suspeitos de envolvimento no esquema de infiltração do PCC no sistema de transporte público.
De acordo com o delegado Fabricio Intelizano, os investigados ficariam presos por 30 dias, prazo prorrogável. As investigações continuam para apurar a participação de cada suspeito. Além de Milton Leite, o ex-presidente da SPTrans, Levi dos Santos Oliveira, também foi preso.
As investigações indicam que pelo menos 12 das 22 empresas de transporte coletivo de São Paulo seriam controladas pelo PCC. Essa infiltração, segundo as autoridades, ocorre por meio de uma estrutura organizada que envolve empresas de fachada, direcionamento de licitações, apoio político e lavagem de dinheiro.
Trajetória política de Milton Leite
Milton Leite foi vereador em São Paulo por sete mandatos consecutivos, iniciando sua carreira na Câmara Municipal em 1997. Foi reeleito em 2000, 2004, 2008, 2012, 2016 e 2020, figurando entre os vereadores mais votados do país em duas eleições.
Ele presidiu a Câmara Municipal de São Paulo entre 2017 e 2018, e novamente de 2021 a 2024. Em julho de 2024, anunciou que não disputaria um novo mandato. Atualmente, Leite preside o União Brasil no estado de São Paulo.
Em relação aos seus contatos com integrantes do setor de transporte, Leite alegou que os encontros ocorreram devido à sua atuação na área, especialmente quando era vice-prefeito e recebeu a designação do ex-prefeito Bruno Covas para resolver questões de transporte.













