Operação Infiltrados expõe ligações perigosas entre policiais civis, ex-agentes e o PCC em São Paulo, revelando um esquema de extorsão e lavagem de dinheiro que chocou o estado. A prisão de Flávio Marcelo Coelho, conhecido como “Marcelão”, detalhou o funcionamento interno dessa complexa rede criminosa, que envolvia até o fornecimento de equipamentos para facilitar atividades ilícitas.
A segunda fase da Operação Infiltrados, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), trouxe à tona detalhes chocantes sobre a atuação de policiais civis e ex-policiais em conluio com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Flávio Marcelo Coelho, de 51 anos, foi detido sob a acusação de ser um “faz-tudo” dentro de um esquema que operava extorsões e lavagem de dinheiro, atuando sob as ordens de Maurício de Oliveira, ex-chefe de investigadores preso anteriormente.
As investigações, conduzidas em conjunto pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPSP e policiais militares do 1º Batalhão de Ações Especiais (Baep), revelaram que Coelho não era apenas um intermediário, mas uma peça fundamental no esquema. Documentos obtidos pela reportagem indicam que ele realizava depósitos vultosos para o investigador Oliveira, ex-comandante da Delegacia de Investigação Sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas.
Conforme informações divulgadas pelo MPSP, entre fevereiro de 2025 e janeiro de 2026, o investigador Maurício de Oliveira recebeu cerca de meio milhão de reais em depósitos. Desse montante, R$ 324,2 mil foram depositados diretamente por Coelho, enquanto outros R$ 181,3 mil tiveram origem não identificada. Esses valores representam um acréscimo expressivo em relação à média salarial de um policial civil, levantando sérias suspeitas sobre a origem lícita dos fundos.
Coelho, o “faz-tudo” do esquema criminoso
As funções de Flávio Marcelo Coelho, apelidado de “Marcelão” pelos envolvidos, iam além da simples movimentação financeira. Diálogos interceptados pela investigação revelaram que ele também era responsável por adquirir “aparelhinhos”, nome dado a celulares destinados a policiais para a prática de crimes, como extorsões. Essa descoberta aponta para um nível mais profundo de envolvimento na estrutura criminosa.
O fornecimento de celulares para atividades ilegais
Um diálogo entre o ex-policial civil Itamar Gomes da Silva e o investigador Maurício de Oliveira, ambos presos na primeira fase da Operação Infiltrados, evidenciou a função de Coelho. Na conversa, Silva menciona a necessidade de um “aparelhinho” e a possibilidade de obtê-lo através de “Marcelão”, demonstrando que o fornecimento de equipamentos para comunicação ilícita era parte integrante do esquema. Coelho chegou a enviar fotos de chips de celular para os investigados.
Extensão do esquema e investigação em andamento
O MPSP apura se o esquema de entrega de celulares clandestinos se estende para além dos três indivíduos presos nas duas fases da Operação Infiltrados. A investigação identificou que o policial civil Maurício de Oliveira possuía outros sete aparelhos celulares, além daqueles diretamente ligados às ações de Coelho. A reportagem não localizou a defesa dos acusados, que permanecem à disposição da justiça.













