Presidente do Fluminense defende bets no STF e revolta torcedores

A declaração do presidente do Fluminense, Mattheus Montenegro, provocou forte revolta nas redes sociais nesta terça-feira. Em audiência pública no Supremo Tribunal Federal, em Brasília, o dirigente minimizou o drama de famílias endividadas por casas de apostas para defender o dinheiro que o setor injeta no futebol.

Declaração no STF coloca patrocínio de apostas acima de dívidas familiares

Durante o debate sobre a proibição e a regulamentação das apostas esportivas, Montenegro discursou diante dos ministros e afirmou que o impacto financeiro nos clubes precisa ser pesado na balança. O dirigente admitiu que o vício causa prejuízos, mas colocou o risco de cortes no esporte no mesmo nível do drama social.

“O drama de uma família endividada não pode ser maior do que o drama de uma família que vai ter que sofrer com os efeitos do desemprego, que é o que vai acontecer na cadeia do futebol”, declarou Montenegro durante a audiência. A fala foi transmitida ao vivo pelos canais oficiais do tribunal.

A reação na internet foi imediata logo após o trecho circular entre torcedores e comunicadores. Diversos internautas apontaram falta de sensibilidade com o sofrimento de trabalhadores que perderam economias, casas e salários inteiros em jogos de azar pela internet.

O que está em jogo no debate sobre as bets no STF

A audiência pública foi convocada no Supremo Tribunal Federal para subsidiar ações relatadas pelo ministro Luiz Fux. Os processos discutem a Medida Provisória 1.394 de 2026, assinada pelo governo federal, além de outras ações que tratam da restrição ampla ou regulamentação rígida do setor de apostas e cassinos virtuais no país.

Segundo dados apresentados pela Associação Nacional de Jogos e Loterias durante o debate, as medidas restritivas já causaram cerca de 3.500 demissões diretas no setor de apostas, deixando outros 4.167 funcionários em regime de férias coletivas em outubro. Por outro lado, órgãos de proteção social e saúde alertam para o crescimento vertiginoso de famílias empobrecidas devido ao endividamento rápido gerado pelas plataformas.

Além de representantes do Fluminense, foram convidados para a audiência dirigentes de clubes como Flamengo, Botafogo, Cruzeiro, São Paulo, Corinthians, Ponte Preta, Vitória, Guarani e Portuguesa, ao lado de integrantes da Confederação Brasileira de Futebol, do Ministério da Fazenda e da Procuradoria Geral da República.

Quem responde por isso e qual a posição oficial

O Fluminense Football Club foi procurado oficialmente pela imprensa para comentar a repercussão negativa e os protestos de torcedores após as declarações do seu mandatário. Até a publicação desta matéria, a assessoria de comunicação do clube carioca não havia enviado resposta.

O tribunal segue colhendo depoimentos de entidades da indústria, especialistas em saúde mental, representantes do governo federal e dirigentes esportivos. O relatório que será elaborado pelo ministro Luiz Fux vai orientar o plenário do STF na decisão final sobre as regras ou o veto total às empresas do segmento no território nacional.

Como buscar ajuda para dívidas e vício em apostas

Para o trabalhador ou família que enfrenta problemas financeiros ou sofrimento emocional por conta do vício em apostas virtuais, existem canais públicos e gratuitos de acolhimento e suporte financeiro no Rio de Janeiro e em todo o país:

  • Apoio psicológico pelo SUS: Quem não consegue parar de apostar pode procurar a unidade básica de saúde mais próxima ou o Centro de Atenção Psicossocial da sua região para acompanhamento gratuito e sem julgamentos.
  • Renegociação de dívidas no Procon-RJ: Para renegociar débitos com bancos e financeiras sem perder a renda mínima de sobrevivência, o consumidor pode buscar atendimento presencial na sede do Procon-RJ ou pelo telefone 151, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h.
  • Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro: Quem está com o nome sujo e em situação de vulnerabilidade extrema tem direito a assistência jurídica gratuita pelo telefone 129 ou comparecendo aos núcleos de primeiro atendimento do órgão.

O desfecho do julgamento no Supremo Tribunal Federal ainda não tem data marcada para votação em plenário, mas o posicionamento dos dirigentes dos grandes clubes do Rio continuará sob forte cobrança dos torcedores nas arquibancadas e nas redes sociais.

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