Praia da Macumba corre risco de desaparecer. Sabe o porquê?

Praia da Macumba

A praia da Macumba, na Zona Oeste do Rio, corre o risco real de desaparecer caso o avanço do mar continue sem controle. A famosa faixa de areia entre o Recreio e a Prainha, conhecida mundialmente entre surfistas, sobretudo adeptos do longboard, sofre com a erosão acelerada provocada por ressacas frequentes e ocupação urbana mal planejada.

Segundo a coluna de Jan Theóphilo, do portal Agenda do Poder, o problema se agrava entre os meses de maio e agosto, quando as ondas podem atingir até cinco metros devido à atuação de frentes frias e ciclones extratropicais no Atlântico Sul. O alerta é do oceanógrafo, surfista e morador da região Carlos Eduardo Velloso, que acompanha de perto o avanço das águas e os prejuízos causados à orla.

Velloso explica que a localização da praia, voltada para o sul-sudoeste — direção das maiores ondulações —, faz com que o mar atinja a faixa costeira com força total. Diferentemente de Copacabana e Ipanema, que têm proteção natural e artificial, a praia da Macumba é uma barreira arenosa originalmente protegida por vegetação de restinga e dunas.

No entanto, a urbanização desordenada iniciada nos anos 1980 eliminou boa parte desses amortecedores naturais. Em 2002, a construção do calçadão e da ciclovia muito próximos à linha da maré agravou a vulnerabilidade da área. Em 2017, a força do mar destruiu parte da ciclovia três vezes em menos de um mês, forçando a interdição de 300 metros do calçadão pela prefeitura.

Em 2019, obras de contenção tentaram amenizar os danos, com recuperação de trechos da orla e plantio de restinga. Ainda assim, o problema se repetiu com força em 2022, quando uma nova ressaca causou a total erosão da faixa de areia e derrubou inclusive sacos de cimento instalados para conter o mar.

Outro fator crítico, segundo Carlos Velloso, foi a deterioração da embocadura do Canal de Sernambetiba, que originalmente tinha um molhe para manter sua abertura e evitar alagamentos. Sem manutenção adequada, o canal passou a ser dragado com frequência, gerando sedimentos que deveriam retornar à praia da Macumba, mas acabaram sendo usados em aterros no Recreio dos Bandeirantes.

Esse desvio dos sedimentos contribuiu diretamente para o encolhimento progressivo da faixa de areia e para a aproximação do mar à estrutura urbana da orla. O cenário se tornou crônico a partir de 2005, com impactos recorrentes a cada nova temporada de ressacas.

Apesar da gravidade, especialistas da UERJ apontam que a situação da praia da Macumba é reversível. Entre as soluções viáveis estão a “engorda” da praia, com recarga de areia; o replantio da vegetação de restinga; e a remoção de estruturas rígidas que amplificam o impacto das ondas. Essas ações exigem planejamento técnico e compromisso das autoridades ambientais e municipais.

Enquanto a comunidade aguarda respostas, a paisagem continua mudando a cada temporada de ressaca. Para muitos, resta a esperança de que a Macumba não vire apenas uma lembrança — especialmente para surfistas e moradores que veem nela mais do que um ponto turístico, mas um espaço de identidade, cultura e história.

Curiosamente, o nome “Macumba” não é o oficial. Também chamada de Praia do Pontal, ela ganhou esse apelido por ser, historicamente, local escolhido por praticantes de umbanda para a realização de rituais. É ali, no ponto final da costa, que termina a jornada celebrada por Tim Maia: “Do Leme ao Pontal, não há nada igual.”

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