Um posto de combustíveis foi totalmente interditado no bairro Coelho da Rocha, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, após fiscais encontrarem gasolina adulterada e fraudes fiscais nesta quarta-feira. Os bicos foram lacrados e o combustível irregular acabou retirado do local.
A ação partiu de um trabalho conjunto entre a Operação Foco, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz-RJ), a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e a Delegacia Fazendária (Delfaz-RJ). A equipe vistoriou quatro estabelecimentos na região durante o dia, mas o posto em Coelho da Rocha apresentou os problemas mais graves.
Durante a abordagem, os fiscais descobriram que o posto funcionava com a Inscrição Estadual não habilitada. Na prática, essa situação impede o comércio legal de combustíveis e a emissão de notas fiscais. Além do problema estadual, o cadastro do estabelecimento no órgão regulador federal também apresentava impedimentos sérios.
Fiscalização lacra posto com gasolina adulterada na Baixada Fluminense
O teste feito na hora pelos técnicos da ANP revelou que a gasolina vendida aos motoristas continha 3% a mais de etanol anidro do que o limite máximo permitido por lei. O combustível fora do padrão foi recolhido com o apoio do Instituto Combustível Legal (ICL) para evitar que mais motoristas fossem prejudicados.
A mistura acima do limite pode causar falhas no motor, aumento no consumo e danos a peças do veículo. Amostras do produto foram levadas para análise detalhada em laboratório, o que vai confirmar a extensão da adulteração e embasar os processos administrativos e criminais.
A fiscalização também flagrou uma manobra suspeita no caixa. As maquininhas de cartão de crédito e débito usadas para cobrar os clientes estavam cadastradas no CNPJ de outra empresa, e não no cadastro do próprio posto. Essa prática costuma ser utilizada para esconder o faturamento real e sonegar impostos estaduais e federais.
Como o golpe do combustível afeta o motorista
Quem abastece com gasolina adulterada sente o prejuízo rápido no bolso e na oficina. A presença excessiva de etanol ou água faz o carro falhar na partida, perder força em subidas e gastar muito mais combustível para rodar a mesma distância.
A longo prazo, a mistura irregular estraga a bomba de combustível, entope bicos injetores e pode até furar o escapamento devido ao excesso de umidade. Por isso, a recomendação dos especialistas é sempre exigir a nota fiscal no momento do pagamento, pois ela serve como prova do abastecimento caso seja necessário pedir ressarcimento ao posto.
O que já se sabe sobre as investigações
A Receita Estadual iniciou o processo para calcular o valor exato da multa e dos impostos devidos pelo estabelecimento. O valor total da autuação será emitido nos próximos dias, após o levantamento completo dos livros fiscais da empresa.
Na esfera criminal, a Delegacia Fazendária abriu um inquérito para apurar os crimes de sonegação fiscal e adulteração de combustível. Os policiais vão ouvir os proprietários registrados na junta comercial e buscar os reais responsáveis pelo negócio para entender quem operava o esquema na Baixada Fluminense.
Como denunciar postos suspeitos no Rio
O consumidor que desconfiar da qualidade da gasolina ou notar que o ponteiro do tanque subiu menos do que deveria pode fazer uma denúncia anônima para os órgãos de fiscalização. Ter os dados do posto, como endereço correto e nome de fantasia, ajuda a agilizar o envio de equipes de vistoria.
- Disque Denúncia do Rio: Ligue para o número (21) 2253-1177. O atendimento funciona 24 horas por dia, com garantia de anonimato total.
- ANP (Agência Nacional do Petróleo): A denúncia pode ser feita pelo telefone gratuito 0800 970 0267 ou no site oficial do órgão federal.
- Procon-RJ: Para reclamações sobre direito do consumidor e falta de nota fiscal, o contato pode ser feito pelo portal do Procon ou nas sedes do órgão.
Como fica a rotina no bairro Coelho da Rocha
Com o posto lacrado e sem autorização para funcionar, os motoristas e motociclistas de Coelho da Rocha e de bairros vizinhos em São João de Meriti precisam buscar alternativas para abastecer. A interdição não afeta o trânsito nas vias do entorno, mas a presença de fiscais e do caminhão de remoção de combustível chamou a atenção de quem passava pelo local.
A fiscalização na Baixada Fluminense deve continuar ao longo das próximas semanas. A meta dos órgãos estaduais é combater a concorrência desleal e proteger o consumidor contra fraudes que pesam no orçamento das famílias do Rio de Janeiro.















