A Polícia Civil prendeu dois homens nesta quarta-feira, em Itaipu, Niterói, por integrar um esquema de comércio de peças de carros roubados. Entre os capturados está Gustavo Gonçalves Porto Melo, conhecido na internet como Rei dos Batidos.
Esquema desmontava carros roubados para revenda de peças em Niterói
A ação foi conduzida por agentes da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis de Niterói e São Gonçalo. A especializada cumpriu mandados de busca e apreensão na casa de Gustavo após meses de investigação de inteligência. No endereço, os policiais localizaram uma pistola calibre 380 municiada com 29 cartuchos.
Após consulta aos sistemas de segurança, os agentes descobriram que a arma havia sido extraviada e pertencia a um policial federal aposentado. O suspeito confessou aos policiais que comprou o armamento por cinco mil reais em um grupo de mensagens chamado Monopólio. Ele acabou autuado em flagrante por porte ilegal de arma, associação criminosa armada e desobediência.
Além da arma de fogo, a equipe apreendeu um simulacro de fuzil, dois distintivos falsificados da Polícia Civil, uma balaclava, colete tático, rádio comunicador e uma máquina de contar cédulas. Na garagem do imóvel estavam veículos de alto padrão, incluindo um modelo elétrico da marca BYD, uma minivan Chevrolet Spin, uma moto BMW e até um jet ski. O segundo detido na operação foi identificado pela corporação como Maycon Andrey Dias Araújo.
O que já se sabe sobre o esquema ilegal
Nas redes sociais, Gustavo se apresentava sob o apelido de GT e divulgava rotineiramente a reforma de carros batidos comprados em leilão. Contudo, as investigações da delegacia especializada apontam que essa atividade de fachada servia para encobrir um mercado paralelo ilegal. Ele encomendava e intermedeava peças nobres retiradas diretamente de automóveis roubados em municípios da Região Metropolitana.
A apuração policial ganhou força em setembro deste ano, quando dois motores com registro de roubo acabaram apreendidos em uma oficina mecânica. Naquela ocasião, o dono do estabelecimento prestou depoimento formal e apontou o investigado como a pessoa que encomendou e entregou os motores adulterados. O histórico dele já acumulava passagens antigas por receptação e desobediência, incluindo um flagrante pilotando moto sem placa e com chassi raspado.
Agora, a Polícia Civil analisa o material recolhido nos celulares apreendidos e cruza os dados bancários dos dois presos. Os agentes querem saber se o patrimônio exibido nas redes sociais e os veículos de luxo apreendidos na casa de Itaipu eram pagos com o lucro da receptação clandestina.
O que fazer se você foi vítima de roubo de veículo
O morador que teve o veículo levado por criminosos deve registrar a queixa com rapidez para evitar o desmanche das peças. O registro pode ser iniciado pela internet, no portal da Delegacia Online da Secretaria de Estado de Polícia Civil do Rio de Janeiro, para casos sem violência física imediata. Se houver roubo à mão armada, procure diretamente a delegacia de polícia mais próxima.
Tenha em mãos o documento de identidade, o Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo e informe dados marcantes, como arranhões e amassados na lataria. Essa identificação ajuda os policiais a reconhecerem carcaças e peças em ferros-velhos clandestinos. Lembre-se também de comunicar imediatamente a seguradora do automóvel para bloquear pagamentos indevidos e acionar o rastreador, se possuir o serviço contratado.
Como denunciar desmanches clandestinos
A população pode ajudar a desarticular oficinas de fachada e ferros-velhos que alimentam o roubo de carros na Região Metropolitana. As informações sobre movimentação suspeita de peças e veículos desmanchados podem ser enviadas diretamente ao Disque Denúncia do Rio pelo telefone (21) 2253-1177. As ligações funcionam 24 horas por dia, com sigilo totalmente garantido.
Também é possível repassar detalhes pelo aplicativo oficial do Disque Denúncia RJ ou procurar diretamente o plantão da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis de Niterói e São Gonçalo. O cidadão não precisa se identificar para colaborar com os investigadores.














