A Polícia Civil prendeu nesta quarta-feira uma mulher de 42 anos investigada por integrar uma rede criminosa de exploração sexual infantil no Rio de Janeiro. Agentes localizaram a suspeita em um abrigo no município de Itaboraí, na Região Metropolitana.
As apurações da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV) mostram que o grupo aliciava meninas de favelas da capital fluminense, incluindo Cidade de Deus e Bateau Mouche, na Zona Oeste, e Jacarezinho, na Zona Norte.
Esquema mirava crianças de comunidades para produção de vídeos ilegais
A prisão de Mariana de Oliveira Minas faz parte da segunda fase da investigação da DCAV. De acordo com a titular da unidade, delegada Maria Luíza Machado, a rede funcionava como uma organização estruturada para o aliciamento e a prostituição forçada de meninas e adolescentes. Entre os alvos, as apurações apontam até bebês de poucos meses de vida entregues aos agressores.
Mariana já acumulava anotações policiais por abandono de incapaz e pelo homicídio a facadas do ex-marido, ocorrido no ano de 2012. Conforme a apuração policial, ela integrava o braço do esquema responsável por recrutar vítimas e apresentá-las aos abusadores em troca de quantias financeiras e vantagens materiais.
A investigação aponta que mães em extrema vulnerabilidade eram convencidas a entregar filhas sob promessa de dinheiro, festas e aparelhos celulares. Os criminosos registravam os atos em fotos e vídeos para produzir material de abuso infantil.
Quem são os quatro suspeitos já presos pela DCAV
Mariana é a quarta pessoa detida na operação. Em março, policiais civis prenderam o advogado e professor universitário Cordovil Antônio Nogueira Martins, apontado como um dos líderes da organização criminosa. Ele já responde como réu preso preventivamente perante a Vara Especializada em Crimes contra a Criança e o Adolescente da Capital (Veca), do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
No último sábado, os policiais cumpriram mandados judiciais de prisão temporária contra outros dois membros do esquema. Luiz Alberto Martins Sobrinho, de 68 anos, que já tinha passagens na polícia por crimes patrimoniais, foi preso no bairro da Gávea, na Zona Sul da cidade. Já Ariane de Oliveira foi capturada no mesmo dia em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
Segundo a titular da DCAV, Cordovil realizava os abusos, filmava o material e pagava mães e recrutadores. Luiz Alberto também participava do aliciamento e dos abusos. Já Mariana e Ariane atuavam diretamente na captação das vítimas dentro das comunidades.
O que a perícia descobriu nas mensagens do grupo
A linha de investigação se aprofundou a partir da apreensão e quebra de sigilo do telefone celular de Cordovil. Nos registros obtidos pelos investigadores, os integrantes da rede tratavam abertamente da busca por novas crianças e adolescentes.
Entre as mensagens analisadas, a polícia identificou imagens enviadas por Mariana em novembro de 2022. Os registros mostravam duas meninas, de 14 e 15 anos, sendo oferecidas aos mandantes do esquema criminoso.
Durante a ação desta semana, os policiais apreenderam novos aparelhos de telefone com Luiz Alberto e Ariane, que serão periciados pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli. Mariana não portava telefone móvel no momento em que foi achada no abrigo de Itaboraí. Os investigadores agora buscam identificar outros adultos que pagavam pelos abusos ou cediam crianças.
Como denunciar casos de exploração sexual e violência infantil
Denúncias de abusos contra crianças e adolescentes podem ser feitas de forma totalmente anônima no Estado do Rio de Janeiro. A população tem à disposição canais diretos com atendimento em regime ininterrupto, 24 horas por dia:
- Disque Denúncia: telefone (21) 2253-1177, com atendimento anônimo por ligação ou mensagens.
- Disque 100: serviço do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, gratuito e nacional, que recebe informações e encaminha órgãos de proteção.
- Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV): Rua do Lavradio, 155, Centro do Rio, com atendimento presencial para registro de ocorrências graves.
- Polícia Militar: acione o 190 imediatamente caso presencie uma situação de flagrante ou risco iminente a menores.
- Conselhos Tutelares: unidades municipais funcionam em todos os bairros e cidades da Baixada, atendendo famílias e recebendo avisos de negligência e aliciamento.
O que fazer se suspeitar que alguém foi vítima
Quem tiver conhecimento de crianças ou adolescentes em situação de vulnerabilidade, aliciamento ou abuso deve procurar atendimento especializado sem confrontar os suspeitos. Casos consumados exigem atendimento médico imediato e coleta pericial para a segurança física e psicológica da vítima.
Os boletins de ocorrência podem ser abertos em qualquer delegacia distrital da Polícia Civil ou diretamente na DCAV. A rede pública de saúde municipal conta com centros integrados que garantem acolhimento emergencial, contracepção de emergência, exames profiláticos e apoio psicológico gratuito pelo Sistema Único de Saúde.














